Caixa apóia uso do fundo na compra de ações
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sexta-feira, 18 de outubro de 2002
Agência Estado 
Brasília - O presidente da Caixa Econômica Federal (Caixa), Valdery Albuquerque, disse ontem que é favorável à utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no mercado de ações. ''É razoável que o FGTS tenha, na margem, um determinado porcentual de recursos aplicado em ações, já que possui também aplicações em títulos públicos e em operações de crédito'', afirmou.
A proposta de destinar uma parcela da arrecadação do FGTS na compra de ações partiu da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em conjunto com a Associação Brasileira dos Analistas de Mercado de Capital (Abamec), e contou com a simpatia do Partido dos Trabalhadores (PT).
Pela proposta da Bovespa, o trabalhador poderia aplicar no mercado de capitais o equivalente a um ponto porcentual da contribuição que as empresas depositam nas contas de FGTS de seus funcionários. Essa contribuição é de 8% do valor do salário. Ou seja, 7% continuariam na conta e 1% poderia ser usado na compra de ações. Durante um período ainda a ser fixado, entre três a cinco anos, essa aplicação teria garantida a rentabilidade mínima de TR mais 3%, a mesma paga hoje às cotas do FGTS. Depois, o trabalhador poderia resgatar as ações.
Sem conhecer detalhes do projeto, o presidente da Caixa disse que a proposta só faz sentido se forem obedecidas regras de prudência, como ocorreu na venda das ações da Petrobras e da Vale do Rio Doce, que puderam ser compradas com dinheiro do fundo.
Segundo ele, o ideal seria que a aplicação fosse feita em ações de empresas de saneamento, desde que elas tivessem nível de transparência adequado e sua forma de gestão fosse aperfeiçoada. ''Como o FGTS já financia habitação e saneamento básico, nada mais natural do que a aquisição de ações desse segmento'', ponderou.
O presidente da Caixa disse que, por solicitação do ministro do Trabalho, Paulo Jobim, a instituição está trabalhando em um projeto para tornar mais transparente a administração do FGTS. O governo quer, segundo Albuquerque, explicitar o valor das aplicações do fundo que está exposto a risco de crédito. O presidente da Caixa acredita que já é hora de redesenhar o FGTS, de tal forma a definir claramente seus objetivos.
Um dos temas a ser debatido é o baixo retorno do FGTS para os trabalhadores. Para Albuquerque, é preciso tirar do fundo o peso dos subsídios concedidos aos financiamentos habitacionais para a população de baixa renda. ''A baixa renda tem de ser subsidiada diretamente com recursos orçamentários'', argumentou.


