Caixa amplia a faixa de renda para uso de FGTS em moradia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de setembro de 2001
Agência Folha 
A Caixa Econômica Federal anunciou ontem que ampliou para R$ 2.000 a renda mensal das famílias interessadas em utilizar os recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a compra da casa própria. O limite anterior era de R$ 1.812. De acordo com a Caixa, essa medida atende 88% das famílias e vale para a compra de imóveis novos ou usados. Para imóveis na planta, o limite sobe de R$ 3.020 para R$ 3.250.
Segundo o diretor de Desenvolvimento Urbano da Caixa, Aser Cortines, a mudança irá beneficiar milhares de famílias com ''os juros mais baixos do País''. Para o financiamento com recursos do FGTS, a taxa de juros é 8% ao ano mais a TR cerca de 2% ano ano. Segundo Aser, isso significa juros inferiores a 1% ao mês para o mutuário.
A Caixa também ampliou os valores máximo dos financiamento. A Carta de Crédito FGTS Individual, utilizada para compra de imóveis novos ou usados, tem agora limite de empréstimo de R$ 44 mil, contra o limite anterior de R$ 40.414. Já a Carta de Crédito FGTS Associativa, usada para compra de imóveis na planta, o valor máximo de empréstimo subiu de R$ 50.407 para R$ 55 mil. Em ambos os casos, a avaliação dos imóveis não pode passar de R$ 62 mil.
A decisão de ampliar o limite para financiamentos imobiliários com recursos do FGTS foi tomada menos de uma semana depois da Caixa suspender os financiamentos para a classe média. A Caixa suspendeu por tempo indeterminado a linhas de financiamento que utilizavam recursos próprios e captados por meio de caderneta de poupança.
Depois da Caixa, foi a vez do Banespa e Santander -que pertencem ao mesmo grupo anunciarem a suspensão temporária das operações de crédito imobiliário. A suspensão atende à expectativa dos especialistas do setor imobiliário, que já esperavam que o mercado seguisse a decisão da Caixa.
O Santander/Banespa informou que a concessão de crédito imobiliário pelo SFH (Sistema Financeiro da Habitação) e carteira hipotecária está suspensa desde ontem. Os dois bancos prometem atender aos pedidos de financiamento aprovados até sexta-feira.
Durante o período de suspensão das operações de crédito imobiliário, o Santander/Banespa vai revisar todas as linhas de financiamento habitacional. As linhas de crédito suspensas atingem principalmente a classe média, já que os financiamentos com recursos do FGTS dirigidos a um público de renda menor continuam em operação.
Para os especialistas em mercado imobiliário, a tendência é dos bancos elevarem as taxas de juros do financiamento após o período de análise e revisão das linhas de crédito. Segundo o vice-presidente de incorporações do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais do Estado de São Paulo), Basílio Jafet, a Caixa serve como referência para o mercado imobiliário. ''A Caixa é um balizador do mercado. Se a Caixa elevar as taxas de juros, os outros bancos acabam fazendo o mesmo. Se a Caixa mantém os juros em patamares baixos, acaba segurando o mercado.''
O presidente da Caixa, Emílio Carazzai, não quis prever para quanto vai a taxa de juros dos financiamentos da Caixa. ''Estamos analisando todas as variáveis possíveis. Não dá para fazer especulação.'' Outros bancos, como Itaú, Nossa Caixa e Bradesco continuam operando normalmente as linhas de crédito do SFH.


