Cai volume de soja exportada no Paraná
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domingo, 14 de junho de 2015
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Com as cotações no exterior em baixa, os produtores rurais do Paraná e do País seguraram as exportações de soja e contribuíram menos do que o esperado para a balança comercial neste ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O Estado embarcou 840 mil toneladas do produto em grão em maio ante 963 mil toneladas no mesmo mês de 2014, queda de 12%. No acumulado dos cinco primeiros meses, a diferença sobe para 26%, de 4,2 milhões de toneladas no período do ano passado para 3,1 milhões de toneladas neste ano.
Capitalizado devido aos bons rendimentos de safras anteriores, o produtor resolveu esperar cotações melhores até o meio do ano, o que não ocorreu. Entretanto, a proximidade do início da colheita do grão nos Estados Unidos fez com que os exportadores abrissem os silos em maio.
No País, a diferença também é grande, mas houve recorde nos embarques em maio, justamente pela safra norte-americana. Conforme o MDIC, o Brasil exportou 9,3 milhões de toneladas de soja em maio deste ano ante 7,6 milhões de toneladas no mesmo mês de 2014, alta de 22%%.
Para o economista Marcelo Garrido, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), no momento, somente a América do Sul tem soja para exportar. "O produtor vinha capitalizado de safras anteriores, não teve interesse em vender e só engrenou pela alta do dólar", explica.
Garrido considera que o preço, apesar de não estar tão bom quanto em anos anteriores, ainda compensa porque está acima do custo de produção. "O Paraná diminuiu a exportação, mas vem acompanhando a média nacional. Não vejo qualquer problema", afirma.
O economista Eugenio Stefanelo, ex-presidente e técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, pensa diferente. "O ideal seria vender toda a nossa soja em grão até o fim de julho, mas o Brasil está com 68% do produto vendido e o Paraná, 60%", conta.
Stefanelo considera que o agronegócio é o que sustenta a balança comercial nacional, mesmo com a queda das cotações. Porém, o atraso nas exportações de soja deve interferir também nos embarques do milho. "Em agosto, entraria o milho no mercado, mas terá de competir por espaço com a soja e não deve mais exportar as 25 milhões de toneladas previstas", diz.
A expectativa para venda de milho ao exterior da Conab caiu para 21,5 milhões de toneladas neste ano. "Acho que foi um erro adiar as exportações porque não ocorreu problemas climáticos nos Estados Unidos. Os produtores só não perderam mais porque a taxa de câmbio está acima de R$ 3", completa Stefanelo.
Em dólares
Em valores, as exportações brasileiras de todos os produtos somaram US$ 74,7 bilhões nos primeiros cinco meses deste ano, queda de 16% ante os US$ 90,1 bilhões do mesmo período de 2014. As remessas somente da soja em grão caíram de US$ 12,5 bilhões em 2014 para US$ 8,7 bilhões, queda de 43%.

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