Albari RosaMovimento magroVendedores em Curitiba têm tempo para pintar uma bexiga e conversar, enquanto esperam os clientesVendedores de braços cruzados à espera de clientes. Este é o quadro na maioria das lojas de móveis e eletrodomésticos nas ruas centrais de Curitiba. As vendas estão em queda livre desde maio e não há previsão para recuperação nos próximos meses. Os lojistas falam em estabilização do mercado, apostando no fim da euforia do Plano Real.
Cada uma das lojas faz seus próprios cálculos da redução da clientela. A rede de lojas Colombo, por exemplo, estima uma queda de aproximadamente 30%, nos últimos dois meses em relação ao início do ano. ‘‘A recuperação das vendas acontecerá somente nos períodos sazonais (Dia das Mães, Natal, Dia dos Namorados), mas não apostamos mais num superaquecimento’’, avalia o gerente geral da rede de lojas Colombo em Curitiba, Julio Cesar de Lara. Com 325 lojas na região Sul, a queda nas vendas foi mais acentuada no Estado.
Lara acredita que a queda nas vendas está diretamente ligada ao aumento do endividamento dos consumidores. ‘‘40% dos nossos clientes não davam importância ao preço do produto, mas apenas à prestação’’, diz o gerente. O resultado, segundo ele, era prestação vencendo e consumidor sem dinheiro para pagar.
Os primeiros produtos excluídos do sonho de consumo da população foram os considerados supérfluos, como televisão mais sofisticada, microondas e lava-louça, secadoras de roupa. ‘‘A venda das TVs 29 polegadas sofreu uma queda acentuada’’, diz o gerente da loja. A indústria de eletroeletrônicos estimou vender nove milhões de unidades neste ano, em todo País. A previsão otimista, feita no início do mês, é de vender no máximo sete milhões de TVs.
Mas não está nas mãos apenas dos consumidores a responsabilidade pela queda nas vendas. O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), José Carlos Tristão, diz que o comerciante decidiu selecionar melhor o consumidor. ‘‘Por causa dos elevados índices de inadimplência, houve uma restrição ao crédito’’, afirma Tristão. Nas grandes lojas de departamento, onde se concentra a maioria do crediário, a inadimplência chegou a 15%. A média histórica e aceitável é de 4% a 5%.
Diretor geral da loja de eletroeletrônicos Yes Som e Vídeo, Tristão lembra que as vendas no comércio varejista vinham apresentando um crescimento médio de 5% desde a implantação do Plano Real até maio deste ano. O Dia das Mães foi um indício de que algo havia mudado no perfil do consumidor. As vendas foram consideradas fracas. ‘‘Acho que chegamos na estabilidade que esperávamos desde o início do plano’’, avalia o presidente da CDL.

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