Cai venda de acessórios para celular com medidas do Contran
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terça-feira, 03 de setembro de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A proibição pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) do uso de fones de ouvido e aparelhos viva-voz, usados para atender o celular ao volante, já vem trazendo reflexo na venda desses produtos, em Curitiba. Em alguns estabelecimentos, a procura chegou a cair em até 70% na última semana. Os lojistas ainda não contabilizaram o impacto que a recente medida do governo federal terá sobre o faturamento, mas de uma coisa estão convictos: o prejuízo será inevitável.
A gerente da empresa Conec-Tel, Andria Tomazini, afirma que, apesar da multa ainda não ter entrado em vigor (por enquanto os motoristas estão sendo apenas notificados), já foi possível perceber uma significativa queda nas vendas. A saída diária de fones de ouvido em sua loja caiu de 10 para três unidades. Ela ainda não colocou no papel o que exatamente essa redução vai representar no faturamento global, mas se continuar nesse ritmo estima perder de R$ 1 mil a R$ 2 mil por mês.
Os comerciantes, no entanto, apostam no ''jeitinho brasileiro'' para continuar vendendo os acessórios. Eles acreditam que as pessoas que usam o celular como ferramenta de trabalho vão burlar a lei e continuar usando o aparelho mesmo enquanto dirigem. Uma das clientes da Conec-Tel, contou Andria, foi taxativa: ''vou continuar usando porque preciso e, se for o caso, pago a multa''.
Na Profit Celular, as vendas também caíram bastante, segundo informou a vendedora Rafaela Moreira. A loja ainda não tem estimativa de quanto foi a queda, mas logo depois do anúncio da proibição, dois clientes cancelaram a compra de aparelhos viva-voz que haviam encomendado. O preço do acessório varia de R$ 160,00 a R$ 200,00.
O sócio-proprietário da empresa Diallmax uma das principais distribuidoras de celulares e acessórios para Curitiba e região metropolitana , Ubiracy Jorge Maftum, acredita que a medida do Contran ainda não tenha afetado os fornecedores. No seu caso, a última reposição de produtos foi feita antes do anúncio da proibição. Ele é um dos que apostam que as pessoas vão continuar usando os acessórios. ''O celular está incorporado na vida das pessoas. Para mudar essa cultura só com muita punição ou na base do faz-de-conta'', opinou.
Na loja Rei do Celular, a saída dos fones de ouvido e viva-voz representa entre 10% e 15% das vendas. ''Tenho bastante produtos em estoque. Deixar de vender é prejuízo'', afirmou o sócio-gerente da loja, Glanoni Wistuba Júnior. Ele espera manter as vendas, pelo menos, de fones de ouvido, já que o aparelho é usado também para atender o celular enquanto a pessoa pratica outras atividades, não só dirigindo.


