Cai uso de pré-datado nas vendas pelos supermercados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de maio de 1997
Agência Estado de São Paulo 
Arquivo FolhaPrevençãoPesquisa da USP junto aos 33 maiores supermercados paulistas mostra reação à ameaça da inadimplênciaO cheque pré-datado perdeu fôlego nos supermercados de São Paulo, mas o total de vendas a prazo aumentou. A parcela dos que aceitam pré-datado caiu de 97% em setembro do ano passado para 87% agora, ao mesmo tempo que aumentou a utilização do cartão de crédito. Enquanto a venda com cheques pré caiu de 39% para 33% do total, o pagamento com cartões aumentou de 7,6% no ano passado para 20%. Caiu também a utilização dos tíquetes, de 7,4% para 5% do faturamento das lojas. No total as vendas a prazo aumentaram de 54% em setembro para 58% agora.
A pesquisa foi feita pela Fundação Instituto de Administração (Fia) da USP para a Associação Paulista de Supermercados (Apas), com as 33 maiores empresas do setor, que têm juntas 648 lojas e representam 70% do faturamento total. A vantagem é que no cartão não tem inadimplência, mas a taxa de administração ainda é muito alta, reclama o presidente da Apas, Omar Assaf.
Ele reclama também do prazo de recebimento das faturas, de 28 dias em média. Em outros países com economia estável esse prazo é de 12 dias, diz Assaf. Ele acha que, com prazo menor e taxas mais baixas o cartão seria mais aceito nos supermercados. As taxas de administração variam entre 1% e 3%, com uma média de 2%.
O prazo médio dos cheques pré-datados também caiu de 42 dias no ano passado para 28 dias. A pesquisa mostra também que 42% das empresas cobram juros para segurar o cheque, em média de 3,3% ao mês.
A inadimplência diminuiu entre as duas pesquisas, de 2,2%
em média para 1,7% das vendas com predatados. O índice varia, no entanto, entre 0,1% e até 10%. Isso aconteceu, de acordo com o presidente da Apas, porque os supermercados ficaram mais rigorosos na concessão do crédito, aceitando cheques apenas de clientes cadastrados.
Apesar disso, ele reclama que a perda chega a 0,5% do faturamento total, considerando a parcela de vendas realizada com cheque pré. Estamos perdendo um terço da rentabilidade do setor (1,5%) com o calote, diz Assaf.
O fraco desempenho das vendas em abril, com queda de 9,91% sobre março e redução de 2,73% em relação a abril do ano passado, compromete a previsão de crescimento entre 3% e 4% este ano. Talvez não seja possível alcançar esse número, lamenta o presidente da Apas.
O acumulado de 1,43% no primeiro trimestre baixou para
apenas 0,37% no quadrimestre. A redução das vendas em abril é explicada pelo calendário, mas a queda do índice acumulado preocupa: como este ano a Páscoa caiu em março, as vendas cresceram nesse período e desfalcaram abril.
O orçamento do consumidor está a cada dia mais comprometido com prestações e não sobra para o supermercado, reclama Assaf. Cada dia mais as pessoas fazem conta e deixam mercadoria na boca do caixa, diz. O aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) não foi suficiente, segundo ele, para reverter a situação. Só vai melhorar um pouco para nós quando o governo mexer nos prazos de pagamento, analisa.
A 13ª Convenção Paulista de Supermercados (Apas 97) começa domingo no Expo Center Norte, em São Paulo, com a expectativa de gerar negócios da ordem de R$ 1,6 bilhão, o equivalente a um mês do faturamento do setor no Estado.


