Nesses três anos de Plano Real, a estabilidade da moeda e a queda da inflação provocaram mudanças no comportamento dos brasileiros com relação às formas de pagar suas contas. O uso de cheques, por exemplo, diminuiu; e cresceu o número de consumidores que compram com cartão de crédito. Em contrapartida, os clientes dos bancos emitiram mais cheques sem fundos.
Levantamento da Centralização de Serviços dos Bancos S/A (Serasa), que analisa os três anos do Real, mostra que em 1994 foram compensados em todo o País 4,1 bilhões de cheques, com devolução de 0,13%. Em 1995, os compensados somaram 3,3 bilhões, com 0,38% de devolvidos. No ano passado, a compensação de cheques totalizou 3,1 bilhões - 0,40% foram de cheques sem fundos.
No primeiro trimestre de 1997, foram compensados 716,6 milhões de cheques, com 0,57% de devolução. Em igual período em 1996, os compensados somaram 758,1 milhões, com 0,41% de devolvidos.
Dados da Redecard mostram que as vendas com cartão de crédito, tendo como base o mês de maio, cresceram 838% nos três anos de Plano Real. A Redecard é responsável pela relação entre mais de 300 mil estabelecimentos comerciais com emissores de cartão de crédito (Mastercard e Diners Clube) e de débito (RedeShop e Maestro). De maio de 1994 a maio de 1997, o número de estabelecimentos ativos cresceu quase 100%.
O valor médio das compras com cartão também aumentou US$ 13,00 de 1994 para 1997. Um mês antes do Plano ser lançado, o brasileiro gastava em média US$ 42,74. Em maio deste ano, esse valor passou para US$ 55,72.
Cresceu também o uso do cartão de crédito para financiar compras. ‘‘Numa economia estável o consumidor passa a utilizar o cartão de crédito não só como veículo de compras, mas também como instrumento de crédito’’, diz o presidente da Redecard, Lywal Salles. Hoje, 45% das compras com cartão de crédito no Brasil são financiadas.
Pré-datadoEm junho de 1994, antes da implantação do Plano Real, a participação dos pré-datados no total de emitidos era de 34%, de acordo com levantamento da Serasa. Em dezembro daquele ano, esse índice passou para 65%. Dois anos depois, em dezembro de 1996, os pré-datados representaram 70% do total de emitidos. Este ano, a participação dos cheques pré-datados caiu de 45% em abril para 32% em maio.
A tendência é diminuir o volume de cheques devolvidos por falta de fundos, segundo a Serasa, porque as empresas mais organizadas utilizam-se de técnicas e instrumentos idênticos aos de vendas financiadas antes de aceitar um cheque como pagamento.
Lucro e inadimplência No terceiro ano do Plano Real, as empresas brasileiras apresentaram desempenho favorável e o nível de inadimplência caiu, segundo dados da Serasa. Técnicos da Serasa analisaram balanço de duas mil empresas e o resultado revela que o faturamento das grandes empresas - com ativo total acima de R$ 50 milhões - cresceu 3,2% até março de 1997 com relação a 1996. O lucro líquido sobre as vendas foi de 5,4%.
As empresas de menor porte apresentaram crescimento das vendas e lucratividade positiva. O faturamento das empresas com ativo total entre R$ 10 milhões e R$ 50 milhões cresceu 1,1%, enquanto o lucro líquido foi de 2,7%. Empresas menores, com ativo total até R$ 10 milhões, tiveram evolução de 2,9% no faturamento e 1,9% de lucratividade.
O balanço nacional da Serasa revela queda da inadimplência no período de julho/96 a junho/97 quando comparados com julho/95 a junho/96. Em todo o País, os títulos protestados diminuíram 21%; as concordatas requeridas apresentaram baixa de 66%; e os pedidos de falências caíram 18%. Dos pedidos de falência registrados no terceiro ano do Real, 13,9% transformaram-se em falências decretadas.

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