Cai taxa de mortalidade das pequenas empresas no PR
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Duas são as motivações mais comuns para se abrir uma empresa: sonho ou necessidade. Esta última, é a intenção mais recorrente no Brasil. Mas das empresas que são abertas no País, metade fecha antes de completar dois anos de funcionamento. Uma redução desse índice foi obtida pelo Sebrae Paraná, através de trabalhos de consultoria, estudo e construção de um plano de gestão de negócios junto ao futuro empreendedor.
De acordo com a pesquisa de Avaliação de Atendimento do órgão - referente ao período de 2002 a 2004 - divulgada, ontem, 79% das empresas que procuraram o Sebrae antes de investir permanecem no mercado, reduzindo a taxa de mortalidade para quase 20%. No Estado existem 550 mil micro e pequenas empresas, destas 60 mil já receberam algum tipo de atendimento no Sebrae e tiveram aumento comprovado de produtividade, atuação no mercado, número de clientes, venda e faturamento.
Outra novidade é que 67% das empresas que continuam abertas, seus donos nunca tiveram experiências anteriores no ramo, o que revela não ser este um fator fundamental para o sucesso. Um dado curioso é que 65% do público que procura o Sebrae corresponde a mulheres, como a advogada Débora Carvalho Alpendre, 35 anos, que montou uma lan house, em 2004, no bairro Bacacheri, após passar por capacitação. ''Aprendi noções básicas para abertura de empresa, marketing e perfil de um empreendedor. Tinha medo de ter prejuízos'', conta ela, que passou a se dedicar exclusivamente ao negócio.
Passados dois anos de ''risco'', a comerciante tem o que comemorar. Mantém um funcionário, comprou novos computadores e pensa em ampliar o espaço para atender uma maior demanda. ''Nosso diferencial é o cuidado no atendimento e a qualidade dos equipamentos. Acredito que daqui a dois anos alcancemos a estabilidade'', disse convicta Débora. ''O maior poder aquisitivo colabora para a longa permanência no mercado. Também é preciso se debruçar sobre a idéia inicial e buscar orientação. Esta preparação vai ajudar a ter boas oportunidades'', ensina a gerente regional do Sebrae-PR, Rosângela Angonese.
A pesquisa apontou os setores mais procurados para abertura de novas empresas: comércio e serviços de alimentação (23%); serviços de estética e venda de produtos de beleza (11%); vestuário, construção e informática (6%); e presentes e variedades, serviços automotivos, esporte e lazer (5%). Além disso, também foi informado a geração de novos postos de trabalho, em média 2,89 por estabelecimento, o que soma cerca de 6,4 mil empregos durante o período.
De 2002 a 2004 foram atendidas em Curitiba 14,3 mil pessoas, das quais 3,2 mil abriram empresas, que serviram de informação para esta pesquisa.


