Agência Estado
De São Paulo
A desvalorização de 2,94% do real em outubro reduziu o superávit primário nas contas do setor público naquele mês. O resultado foi positivo em R$ 1,45 bilhões ante os R$ 5,4 bilhões de setembro. Mesmo assim, segundo destacou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, foi o melhor resultado obtido no mês de outubro desde 1994.
Quando ocorre desvalorização, há um aumento dos encargos do setor público. Ao mesmo tempo em que reduziu o resultado primário, esta desvalorização elevou a carga dos juros e provocou um déficit nominal de R$ 7,92 bilhões ante o superávit de R$ 770 milhões em setembro.
Lopes assegurou, no entanto, que a tendência é de melhora para os números de novembro porque o real voltou a se valorizar naquele mês em 2,91%. ‘‘A valorização vai trazer o dispêndio de juros para baixo’’, afirmou o chefe do Depec.
Ele explicou que o déficit nominal também foi maior porque, em setembro, houve uma valorização do câmbio de 1,10%. Isso significa que, com os 2,94% de desvalorização de outubro, o impacto sobre o câmbio em novembro chegou a 4,04%.
Lopes disse que o aumento dos juros nominais de R$ 4,63 bilhões em setembro para R$ 9,37 bilhões em outubro pode ser explicado basicamente por este impacto. Com o superávit primário de R$ 1 45 bilhões, chegou-se, portanto, ao déficit nominal de R$ 7,92 bilhões no mês.
A maior contribuição para o superávit primário do mês foi dada pelo governo federal e pelo Banco Central, que tiveram um resultado positivo de R$ 1,6 bilhão em suas contas. Mas com o déficit de R$ 827 milhões do INSS, o superávit do governo central caiu para R$ 979 milhões.
A participação dos governos regionais no resultado foi de 476 milhões. Dentre as empresas estatais, somente as municipais ficaram deficitárias em R$ 6 milhões. As estatais federais tiveram um superávit de R$ 205 milhões enquanto as estatais fecharam o mês com R$ 79 milhões.
Com o resultado de outubro, o setor público acumulou um superávit primário de R$ 32 bilhões no ano, o correpondente a 3 84% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso significa uma folga de R$ 5,93 bilhões em relação à meta constante do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que é de R$ 26,07 bilhões até o mês.
Lopes lembrou que o resultado supera até mesmo a meta estabelecida para dezembro que é de R$ 30,18 bilhões. ‘‘Temos uma folga de R$ 1,83 bilhões’’, afirmou o chefe do Depec. ‘‘O que eu posso assegurar é que a meta vai ser cumprida’’.
No acumulado do ano, o déficit nominal chegou a R$ 91,8 bilhões, ou 11,05% do PIB. Segundo Lopes, nas contas até o final do ano, a tendência é de redução. Ele aposta que, proporcionalmente ao produto, a parcela do déficit nominal será menor que 10%. ‘‘Seguramente vai chegar abaixo disso’’, disse. Em janeiro, quando foi feita a desvalorização cambial, o déficit nominal chegou a 72% do PIB. Para 2000, segundo Lopes, o governo trabalha com a meta de fechar o ano com o déficit nominal inferior 4%.

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