Cai qualidade de rodovias no Paraná
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A qualidade das rodovias paranaenses piorou em um ano, de acordo com a Pesquisa CNT de Rodovias 2015, divulgada ontem pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Houve queda de 49,3% dos trechos pavimentados com nota Ótima ou Boa em 2014 para 47,7% neste ano e crescimento da condição Ruim ou Péssima de 17,5% para 19,0%, no mesmo comparativo.
A avaliação regular se manteve estável, de 33,2% para 33,3%. Ainda, quando se observa somente a nota Ótima, houve queda de 14,4% no ano passado para 10,9% neste ano. É preciso considerar ainda que a CNT analisou 5.879km na pesquisa de 2014 e 5.996km na de 2015.
Por meio de nota, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) informou que o Estado mantém "o título de melhor malha viária da região Sul do Brasil, tal como em 2014". Para justificar a queda na qualidade, o órgão apontou que o ajuste financeiro fez com que os serviços de manutenção fossem adiados até abril. "Somam-se a isto os efeitos do El Niño - com maior volume de chuvas -, que comprometeram a qualidade do asfalto. Para 2016, o Estado ampliou os recursos para o setor de manutenção e conservação de rodovias, saindo de 130 milhões, em 2015, para R$ 404 milhões no ano que vem", completou a assessoria.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantú, é óbvio que a pior qualidade das rodovias se deve à falta de manutenção adequada. "Claro que o caixa está mais apertado, mas o investimento é zero. As rodovias que não são pedagiadas e dependem de recurso público, de modo geral, não são boas."
Opinião semelhante tem o presidente do Sindicato dos Transportes Rodoviários Autônomos de Bens de Londrina e Região (Sindicam), Carlos Roberto Dellarosa. "Não concordo sobre a chuva atrapalhar, porque tiveram o ano todo para fazer melhorias e não fizeram. O governo sempre deixa a estrada estragar ao máximo, arrumam e só então anunciam que vão pedagiar", diz.
Apesar de considerarem que as rodovias com concessões costumam ser melhores, ambos afirmam que o valor cobrado nas praças paranaenses não se justifica e temem uma renovação de contratos sem discussão com a sociedade. "Difícil falar do que não se tem informação. Se for a simples prorrogação por mais tempo e com o compromisso das mesmas obras que já deveriam ter sido feitas, somos contra", cita Cantú, para quem falta transparência. "O governador deveria ouvir mais a população e não fazer a renovação, porque o pedágio do Paraná é um dos mais caros do País", sugere Dellarosa.
Não houve diferença significativa entre a quilometragem de rodovias com pista dupla, que passou de 16,8% para 16,6% no Paraná. Com o aumento de 117km analisados, a CNT identificou 7km a mais de pista dupla. "Para o transporte, a pista simples gera perda de produtividade, o transporte fica mais lento e aumenta o custo operacional", explica o diretor da CNT, Vander Costa, em nota.
No entanto, é a falta de segurança o maior problema, já que os acidentes mais graves ocorrem em ultrapassagens em locais proibidos. Segundo o Núcleo de Estatísticas da Polícia Rodoviária Federal, nove em cada dez colisões frontais nas BRs foram em trechos de pista simples no ano passado, o que representou 4% das ocorrências e provocou um terço das mortes.
Conforme a CNT, 86% das rodovias nacionais são de pista simples e com mão dupla. Ainda, 83% não têm faixa adicional em trechos de subida, o que dificulta ultrapassagens seguras. A entidade analisou mais de 100 mil quilômetros de vias federais e estaduais. Das rodovias administradas pelo poder público, 94% têm pista simples e, nas pedagiadas, 54%.


