Rio de Janeiro - A previsão da safra 2004 foi novamente revisada para baixo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa de junho projeta uma safra para o ano de 118,8 milhões de toneladas. Em janeiro, a projeção era de 133 milhões de toneladas.
O chefe da Coordenação de Agropecuária, Carlos Alberto Lauria, disse que as sucessivas quedas nas estimativas estão sendo provocadas por problemas climáticos que prejudicaram especialmente as culturas de soja e milho.
A estiagem na região Sul e em Mato Grosso do Sul e o excesso de chuvas em Mato Grosso e Goiás reduziram a previsão para a colheita da soja principal produto da safra brasileira, respondendo por 41% do total de 59 milhões de toneladas estimadas em janeiro para 49 milhões de toneladas projetadas em junho.
No caso do milho, que responde por 36% da safra, foi confirmada queda de 10% na colheita do produto na primeira safra (31 milhões de toneladas neste ano, ante 34,7 milhões de toneladas em 2003). Além disso, a safrinha do milho (segunda safra) será 20,6% menor neste ano por causa de problemas climáticos registrados nos Estados produtores, especialmente no Paraná, onde a colheita do produto deverá ser 39% menor.
A estimativa do IBGE é de que a segunda safra do milho será de 10,55 milhões de toneladas em 2004, ante 13,29 milhões de toneladas na safra anterior. Lauria disse que a safra do milho neste ano (incluindo a primeira safra) alcançará cerca de 41 milhões de toneladas e estará bastante próxima do consumo do produto no País, de 40 milhões de toneladas. Segundo ele, o risco da oferta mais reduzida do produto está nos possíveis reajustes dos preços do frango e suínos, por exemplo, já que o milho é o principal insumo da ração desses animais.
Lauria disse que a safra prevista para 2004 não deverá sofrer revisões significativas a partir da estimativa divulgada ontem. Segundo ele, a imprevisibilidade da safra está concentrada agora no trigo, que está iniciando o período de colheita, que prossegue até dezembro. Ele adiantou que as condições climáticas estão normais nos principais Estados produtores, Paraná e Rio Grande do Sul.

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