A produção industrial paranaense caiu 5% nos dois primeiros meses deste ano comparando com o mesmo período de 2005. Naquele ano, o faturamento das indústrias estaduais também caiu 1,31% em relação a 2004. Os dados são da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e refletem, segundo o presidente Rodrigo Rocha Loures, a política econômica adotada pelo governo federal. ''A política cambial está sendo mortal para as indústrias. A desvalorização do dólar inviabiliza a rentabilidade e as taxas de juros altos atraem somente capital especulativo'', avalia.
No Estado, os segmentos mais afetados pela crise são: madeira, moveleirao, têxtil, couros e macânica. A construção civil e a agroindústria, por exemplo, permanecem estagnadas. De acordo com Rocha Loures, o atual cenário político e econômico está gerando no País um processo de desindustrialização. ''Temos alguns grupos internacionais que estão deixando o Paraná para se instalar em outros países. Nos nossos mercados há uma invasão de produtos chineses, que estão tirando mercado dos brasileiros e isso gera desemprego e um mau aproveitamento das capacidades industriais já instaladas. Isso tudo são sinais evidentes da rota desastrosa que a equipe econômica adotou'', avalia.
Devido à atual situação, o presidente da Fiep está percorrendo o Estado para conversar com empresários e presidentes de sindicatos patronais sobre o atual momento político-econômico. A intenção é iniciar uma mobilização entre o empresariado para uma reforma da política. ''Queremos renovar costumes e regras para viabilizar um governo. Queremos um governo que trabalhe pelas necessidades da sociedade e que não advogue mais somente em causas próprias, o que tem demonstrado claramente abuso de poder. A intenção é que haja um racionamento, uma redução e uma melhor alocação dos gastos públicos'', comenta.
Para isso, essa ''mobilização'' tem como parâmetro itens como: a retomada dos investimentos em obras de infra-estrutura, a ampliação e a renovação do parque industrial nacional e o desenvolvimento de programas de produtividade e gestão empresarial; e a garantia da segurança dos cidadãos, da sua liberdade civil e física (com combate ao crime organizado feito pela Polícia Federal). ''É intolerável a manutenção deste Estado crônico de estagnação que mantém 20% da população economicamente ativa desempregada e 24% dos jovens com idade entre 16 e 24 anos desocupados (sem trabalhar e sem estudar)'', salienta Rocha Loures.
Congresso - O presidente da Fiep está percorrendo o Paraná há duas semanas. Além das conversas sobre o atual momento político-econômico, a intenção é conhecer as demandas regionais. As estratégias, as linhas de atuação e as contribuições serão discutidas e abordadas durante o Congresso Paranaense da Indústria, que será realizado entre os dias 25 e 26 de abril em Curitiba. A expectativa é que mais de 2 mil empresários participem do evento.

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