Cai presença do agronegócio na economia
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segunda-feira, 13 de novembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
A participação do agribusiness na formação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu de 32% para 20,6%, nos últimos 10 anos, de acordo com um estudo encomendado pela Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG) aos pesquisadores Elisio Contini, da Embrapa, e Eduardo Pereira Nunes, do IBGE. O primeiro cálculo sobre a participação do agribusiness no PIB nacional foi publicado há pouco mais de 10 anos, no livro Complexo Agroindustrial Brasileiro: o Agribusiness Brasileiro, de Ney Bittencourt de Araújo, Ivan Wedekin e Luiz Antonio Pinazza.
De acordo com o estudo encomendado pela ABAG, o índice caiu, desde então, por conta da menor participação da agricultura no PIB, do aumento da pobreza na agricultura, da quantificação do impacto direto, da redução do apoio governamental ao setor, da sobrevalorização cambial, e dos baixos salários e baixa margem de lucro na atividade. O trabalho mais recente mostra que o complexo agroindustrial brasileiro representa hoje 25% do valor da produção do Brasil, responde por 37,1% dos empregos e por 40% das exportações do País, e gera 20,6% do PIB. O objetivo da ABAG era formalizar uma metodologia que pudesse oferecer dados recentes e consistentes sobre a contribuição do agribusiness na economia brasileira, por meio da caracterização do complexo agroindustrial e do dimensionamento do seu valor. De acordo com os dados das contas nacionais em 1996, o PIB naquele ano somou R$ 778,8 bilhões, para os quais o agribusiness contribuiu com R$ 160,7 bilhões, entre produção e impostos, o que corresponde a 20,6% do total. Os dados de 1996 são os mais recentes divulgados pelo IBGE.
O valor total da produção do agribusiness brasileiro somou R$ 330,5 bilhões em 96, de acordo com o IBGE, e representou 25% do valor total da produção nacional, que ficou em R$ 1.323,4 bilhões naquele ano. O estudo encomendado pela ABAG mostra também que a atividade agroindustrial antes da porteira da fazenda (insumos, máquinas) equivale a 4,6% da parcela correspondente a todo o setor no PIB (20,6%), a atividade dentro da porteira (lavouras e pecuária) responde por 42,3%, e a atividade depois da porteira (beneficiamento, indústria e serviços) por 53,1%.
A atividade agropecuária, considerada o núcleo do complexo agroindustrial brasileiro, respondia em 1996 a 7,3% do valor de produção total do País (recursos de bens e serviços a preços básicos, sem impostos e deduzidos os subsídios). Quase metade dessa produção provém do cultivo de grãos como trigo, feijão, sorgo e outros cereais de inverno, hortaliças e frutas. Também se destacam, individualmente, a pecuária bovina, a criação de suínos, a pecuária leiteira, a cana-de-açúcar, a soja, o milho, a avicultura e o café. Se constata, ainda, a relevância de alguns produtos da agroindústria rural na composição do valor da produção dentro da porteira, como café beneficiado, carne bovina, aves abatidas, açúcar e bebidas (vinhos coloniais e outros). O pessoal ocupado na atividade agropecuária em 96 correspondia a 61,4% de toda a mão-de-obra do complexo agroindustrial, e a 23,3% de toda a população ocupada.
O segmento antes da porteira, ou seja, o setor de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, combustíveis e outros, contribuía em 96 a 1,13% da produção total do País. Os principais insumos da agropecuária provêm da indústria química (adubos e defensivos, com 56,2% do total) e do refino de petróleo (combustíveis, com 17,4%). Os pesquisadores estimam que 242 mil pessoas estejam empregadas por este segmento do complexo agroindustrial brasileiro, o que corresponde a pouco mais de 1% da mão-de-obra total do setor.
Depois da porteira, o cálculo é subdividido em dois, e o primeiro contempla as atividades industriais e de serviços exclusivos do complexo agroindustrial, como celulose, papel e gráfica, indústria do café, beneficiamento de produtos vegetais, abate de animais, laticínios, açúcar, óleos vegetais e outros produtos alimentares. Este subsetor, o das atividades agroindustriais exclusivas, responde por 9,56% da produção total do País, e empregava em 1996 18,4% do pessoal de todo o complexo. O segundo subsetor diz respeito a atividades parcialmente relacionadas ao agribusiness, como madeira e mobiliário, indústria têxtil, calçados, vestuário, elementos químicos, borracha e siderurgia, que correspondiam a 3,7% de toda a produção nacional em 96. Também entra neste último cálculo os serviços relacionados ao complexo agroindustrial, como transporte, comércio e administração pública, cujo valor equivalia, em 96, a 3,1% da produção total do País.


