Curitiba - Depois de três meses de alta, a cesta básica de Curitiba teve queda de 0,65% em janeiro. De acordo com a pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os produtos que mais contribuíram para a redução do índice foram tomate, pão e carne. O supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, destacou que, mesmo com a queda de janeiro, os preços dos alimentos ainda estão altos. Nos últimos 12 meses, a cesta subiu 15,23%. A expectativa dele é que em 2009 não se repita a mesma elevação dos alimentos de 2008. Isso vai depender dos preços internacionais e da variação do câmbio.
Ele acredita que os alimentos podem contribuir para a inflação ficar dentro da meta do governo federal projetada em 4,5%. Em 2008, a cesta já tinha subido 22,52% e a inflação 5,90%. Cordeiro prevê que neste ano, os alimentos e a inflação devem ter variação menor que em 2008.
O produto que teve a maior queda na cesta foi o tomate (-10%) em função de uma oferta maior deste alimento. A farinha de trigo (-8,73%), o óleo de soja (-6,21%) e o açúcar (-2,48%) ficaram mais baratos por conta do reflexo dos preços internacionais, ou seja, a queda das commodities que refletiu no mercado interno. Os outros itens com queda foram o pão (-2,93%) e a carne (-1,44%). Esse foi o segundo mês de queda na carne e a tendência é que o preço continue a cair.
O produto que teve a maior alta foi a batata (+10,16%) que, segundo Cordeiro, está em final de safra e em processo de recuperação de preços. O arroz e o feijão ficaram 1,95% e 6,90% mais caros, respectivamente. Além desses itens, também subiram o café (+7,49%), a manteiga (+7,38%) e a banana (+1,90%). O leite ficou estável.
Cordeiro destacou que a cesta está comprometendo uma parte maior do salário mínimo. Em janeiro os 13 produtos pesquisados pelo Dieese consumiram 54,91% do mínimo e, no mesmo mês do ano anterior, o percentual era de 52,04%. O economista destacou que, mesmo o aumento real do mínimo, não garantiu o poder aquisitivo. ''Nossa expectativa é que o mínimo recupere o poder de compra'', disse. Ele acredita que, em 2009, a cesta fique abaixo dos 12% de aumento real do salário mínimo. A previsão é que esta deflação de janeiro marque o comportamento dos preços em 2009.
Em janeiro, o custo da cesta para uma família formada por um casal e duas crianças foi de R$ 683,67. Curitiba ficou com o oitavo custo mais caro entre as 17 capitais pesquisadas pelo Dieese e teve a menor deflação das dez capitais com deflação. Nos últimos 12 meses, os produtos com maiores altas foram tomate (40%), arroz (31,45%), feijão (28,83%) e carne (22,15%).

mockup