A participação dos salários no PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no País) caiu de 45%, em 1990, para 38%, em 1996. Em contrapartida, os lucros das empresas aumentaram sua participação no PIB, saltando de 33% para 41% no mesmo período. As conclusões fazem parte do novo SCN (Sistema de Contas Nacionais), divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A participação dos salários no PIB iniciou sua curva descendente em 1994 (ano de implantação do Plano Real), quando atingiu 40%, contra 45% em 93. Depois, caiu para 38%, em 95, mantendo-se estável no ano seguinte. Antes de 94, a massa salarial tivera queda de 90 para 91 (ano do Plano Collor 2), de 45% para 42%, mas subira em 92 para 44%, voltando ao patamar inicial da série no ano seguinte.
O comportamento dos lucros das empresas foi praticamente o inverso. Iniciou sua curva ascendente em 94, quando alcançou 38% do PIB, contra 35% em 93. Depois, passou a 40%, em 95, e finalmente 41%, no ano passado. No período anterior a 94, esse item aumentara sua participação no PIB de 33%, em 90, para 38%, em 91, mantendo-se estável em 92 e caindo a 35% em 93. ‘‘Os assalariados perderam em benefício das empresas’’, diz Gelio Bazoni, do Departamento de Contas Nacionais do IBGE.

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