Cai otimismo na indústria parananense
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sábado, 20 de dezembro de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O temor diante da crise financeira mundial derrubou o grau de confiança dos industriais parananenses. Uma pesquisa do departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) com 544 empresários aponta que 62,17% estão otimistas em relação aos negócios para o ano que vem, ante 87,87% registrado na sondagem anterior. Este é o menor índice dos últimos 10 anos (em 1998 foi de 61,93%). Os dados foram tomados em novembro, em pleno furor da crise, e divulgados ontem.
Segundo o economista da Fiep, Maurílio Schmitt, o empresário tem sido pego de surpresa por medidas e não está com tempo para planejar ações. Muita coisa está sendo decidida no susto e isso pode abalar o mercado, pondera. Os pessimistas (27,61%) apontam a ausência de novos investimentos (39,46%), redução nas vendas (31,84%) e redução no emprego (28,70%) como os motivos para o desânimo.
Apesar da queda no otimismo, a pesquisa afirma que 50,98% dos entrevistados têm intenção de manter os postos de trabalho em 2009 e 19,34% acreditam no aumento do nível de emprego. Outros 75,94% apostam em treinamento de funcionários. Novos investimentos são o foco de 42,60% das empresas. Dentre as estratégias de maior importância para 2009, a mais citada foi o Desenvolvimento de Novos Negócios, com 51,51% das intenções.
Roberto Zurcher, também economista da Fiep, cita o câmbio desfavorável às importações como um dado positivo para a confecção. É a chance de bater de frente com a concorrência chinesa que tomou de assalto a economia paranaense, sendo o segundo país importador no Estado. Quem atuar mais rápido para abocanhar o mercado, vai aproveitar melhor a oportunidade de negócio, aconselha.
Para enfrentar a concorrência nacional e estrangeira, a qualificação de pessoal é estratégica para 52,76% e o enxugamento de custos aparece em 51,16%. Quanto aos investimentos, 74,51% pretendem usar recursos próprios, ante a 41,35% que contam com crédito governamental. Os gastos já têm alguns endereços certos: a produtividade (capacidade em produzir mais com a mesma estrutura) para 40,29% das empresas, melhoria do processo (39,75%), modernização tecnológica (37,61%), entre outros.
Schimitt demonstra apreensão quanto ao agronegócio. Com a crise mundial, o produtor precisou investir pagando caro e venderá a produção a valores mais baixos. Ele prevê uma safra para 2009 com menor produtividade, abalando o setor tão habituado às super-safras. Ainda dentro das dificuldades, independente da crise, a sondagem apontou uma velha queixa do empresariado referente à concorrência no mercado interno. A carga tributária elevada é a campeã com 85,20%, seguida dos encargos sociais elevados com 79,14% e do custo financeiro com 58,7%.
A FOLHA tentou ouvir alguns dos empresários que participaram da pesquisa, mas foi informada pela Fiep que há garantia de anonimato a quem respondeu o questinário.


