Brasília - O consumidor brasileiro está menos otimista do que no final do ano passado por acreditar que o desemprego deve voltar a crescer, com o ritmo mais lento da economia. É o que constatou o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), elaborado trimestralmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Quando mais alto o Inec, melhor a expectativa dos consumidores. O índice do primeiro trimestre deste ano, divulgado ontem, caiu 2,2% em relação a dezembro de 2004.
A CNI ressalvou que o índice ainda é 1,2% superior ao do primeiro trimestre do ano passado e atingiu o valor mais alto para o período de início de ano, desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1996. O que determinou a queda em relação ao trimestre anterior foi uma forte deterioração na expectativa quanto à evolução do desemprego em geral na economia, um dos indicadores que compõem o Inec. Esse indicador caiu 8,9% em relação ao final do ano passado.
De forma paradoxal, melhorou o indicador referente ao medo do desemprego, ou seja, o temor que as pessoas têm de ser despedidas. Esse indicador, que é focado na situação pessoal dos entrevistados, subiu 2,4% em relação ao último trimestre de 2004. ''O consumidor parece acreditar que a economia está entrando num ritmo mais lento que o esperado, o que certamente terá impacto nas contratações e, consequentemente, no desemprego'', diz nota da CNI.
O Inec indica ainda uma tendência de acomodação do consumo. Em relação ao fim de 2004, o indicador de intenção de compra dos consumidores caiu 1,5%. Para a CNI, esse ''é um fator que preocupa, uma vez que se espera que a retomada do consumo interno seja um dos mais importantes motores para o crescimento da economia este ano''.
Segundo o levantamento, a maioria dos consumidores pretende manter seu nível de compra nos próximos três meses. Foi essa a opção escolhida por 53% dos entrevistados. No fim do ano passado, 52% apontavam essa alternativa. Já o número de pessoas que pretendem comprar menos subiu de 27% para 28%. Os consumidores que pretendem comprar mais foram somente 19%. No final de 2004, 22% diziam ter a intenção de aumentar seus gastos.
Houve piora também nas expectativas quanto às perspectivas econômicas para o ano. No fim do ano passado, 25% esperavam que 2005 iria ser ''muito bom''. No último levantamento, a proporção dos que acreditam nisso caiu para 19%.
Mas os que acreditam que a situação vai piorar dobraram de número. Passou de 6% para 12% a parcela dos que vêem perspectivas ruins, e de 2% para 4% a dos que acham que elas são ''muito ruins''.

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