Cai oferta de emprego no campo
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sexta-feira, 16 de setembro de 2005
Agência Brasil 
Brasília - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) chamou atenção ontem para a queda da oferta de emprego no campo. Segundo a organização, os números seriam resultados da queda de renda na agricultura, em função das fortes estiagens provocaram o maior impacto negativo dos últimos quatro anos na atividade agropecuária. Considerando-se apenas os empregos formais anotados pelo Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, a atividade agropecuária ofereceu, de janeiro a julho deste ano, 219,94 mil empregos formais. O número é 19% menor que o de igual período do ano passado.
É o nível mais baixo de mão-de-obra rural com registro em carteira desde 2002, quando o Caged registrou criação de 231,6 mil empregos nos sete primeiros meses do ano. Número que se manteve quase estável em 2003, com 232,5 mil empregos, e que aumentou consideravelmente no ano passado, com oferta de 271,58 mil empregos formais no campo.
Os números fazem parte de uma advertência pública da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sobre a crise que ameaça reduzir a safra agrícola do País, em função da descapitalização dos produtores rurais, como assegura o chefe do Departamento Econômico da CNA, Getúlio Pernambuco. E isso ''vai afetar, certamente, o agronegócio como um todo'', diz ele.
Dívida Ativa - O vice-presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto, afirma que a entidade entrará com uma ação judicial contra a decisão do governo de incluir os débitos dos produtores rurais na dívida ativa da União. ''Já estamos trabalhando em entrar com uma ação geral no sentido de reverter esses montantes'', antecipa Sperotto.
Em fevereiro deste ano, o governo federal iniciou um processo de inscrição e notificação dos produtores rurais inadimplentes na dívida ativa da União. Isso quer dizer que a dívida passa a ser responsabilidade da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O devedor fica sujeito a cobrança judicial ou execução fiscal e também pode perder direito à Certidão Negativa de Débitos. Essa medida, de acordo com um balanço divulgado pela Assessoria Especial da Presidência da República, propiciou uma queda de quase 7% na inadimplência entre fevereiro e julho.
Sperotto afirma que ficou ''surpreso'' com a notícia de que esta inadimplência está em queda. ''A informação nos traz surpresa. Os produtores que tiveram seus nomes na dívida ativa dificilmente teriam condições de solver seus débitos, já que as multas os tornam impagáveis'', acentua.


