O uso do cheque pré-datado atingiu o limite nos supermercados. No Grupo Pão de Açúcar, a segunda maior rede de supermercados do País, com 219 lojas e vendas líquida de R$ 3 bilhões no ano passado, o cheque pré-datado caiu seis pontos porcentuais no faturamento da empresa. No final do ano passado, essa modalidade de pagamento respondia por 21% das vendas e hoje representa apenas 15%. ‘‘Houve uma saturação do pré-datado’’, afirma o presidente do Grupo, Abílio Diniz. Segundo o empresário, as vendas nos supermercados, em geral, estão estáveis e o crescimento é pequeno. Com uma eventual redução do ritmo de vendas dos bens duráveis, ele acredita que as compras serão direcionadas para os alimentos.
A empresa que trabalha com juros escalonados, que variam entre 2,8% ao mês e 3,9% para até 90 dias e foi uma das primeiras a introduzir encargos financeiros nessa modalidade de pagamento, não tem perspectivas de reduzir as taxas de juros a curto prazo. Segundo o diretor administrativo-financeiro, Augusto Cruz, com a inflação e o juros de mercado estáveis e a inadimplência alta, não há como reduzir os encargos. A inadimplência representa hoje 0,9% das vendas com cheque pré-datado nas lojas Pão de Açúcar. Esse porcentual é quase o dobro do nível histórico, de 0,5%, mas já foi maior em março de 97 (1,01%).

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