Brasília - O mercado de trabalho já começa a ser afetado pela desaceleração da economia. Os dados divulgados ontem pelo ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, demonstram que está em ritmo mais lento a geração de empregos com carteira assinada. Em maio, foram criadas 212.450 novas ocupações. Embora seja o segundo melhor resultado para o mês, o dado perde na comparação com abril (266.095) e também na comparação com maio de 2004, que registrou 291.822 novos postos de trabalho.
A queda no ritmo é visível também na comparação dos primeiros cinco meses de 2005 com 2004. De janeiro a maio do ano passado o mercado de trabalho foi capaz de criar 826.761 novas ocupações. No mesmo período deste ano, o saldo líquido do emprego é positivo em 770.767.
O ministro do Trabalho não se dá por vencido. Ele argumenta que 2004 foi um ano excepcional e, por isso, toda a comparação com ele fica prejudicada. ''Não há ainda perfil de desaceleração no mercado de trabalho. A tendência para este ano é positiva e, se não vamos ultrapassar 2004, vamos pelo menos repetir o desempenho'', garantiu.
Na avaliação de Berzoini, os investimentos previstos pelo governo, especialmente os R$ 11 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a área da construção civil e saneamento, vão fazer a diferença no segundo semestre e 2005 pode fechar com um saldo líquido do emprego de 1,5 milhão.
''Estamos trabalhando duramente para remover os obstáculos que inibem a aplicação do dinheiro do fundo'', disse o ministro. Os obstáculos apontados por Berzoini são as resistências da equipe econômica em elevar o limite de endividamento do setor público para que Estados e municípios possam pegar os R$ 2,7 bilhões do FGTS para obras de infra-estrutura e saneamento básico.
Para o ministro do Trabalho, mesmo com as restrições da política monetária e os problemas com o câmbio, o dinamismo da economia é forte. Berzoini disse que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve estável o atual nível da taxa de juros básica da economia, foi um sinal importante.
''Esperamos que nas próximas reuniões a decisão seja pela redução da taxa, o que permitirá a manutenção do dinamismo da economia''. De acordo com Berzoini a taxa Selic pode chegar ao final do ano entre um a 1,5 ponto porcentual mais baixa.
Na análise do emprego formal no mês de maio, os setores que mais contribuíram para a criação de postos de trabalho foram os serviços (57.679), a agricultura (58.744) e a indústria de transformação (45.938). Mesmo com saldo positivo na indústria alguns segmentos fecharam postos de trabalho. São segmentos, segundo o ministro, vinculados ao setor exportador e ao câmbio. A indústria de madeira e mobiliário desempregou 2.381 pessoas, assim como a indústria de calçado, que fechou 2.570 postos de trabalho. Em termos regionais houve perda de emprego na região sul devido, principalmente, à crise enfrentada pelo setor de calçados com o câmbio baixo.

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