Cai o registro de empresas no Paraná
A economia paranaense não conseguiu repetir em 2006 o mesmo desempenho de 2005, pelo menos no que tange a criação de novas empresas. Segundo dados da Junta Comercial do Paraná, foram abertas no ano passado 44.058 empresas contra 45.844 do ano anterior - 1786 a menos.
O desempenho do Paraná foi muito parecido com os dos demais estados da região Sul. Em Santa Catarina foram abertas 23.342 empresas em 2006 contra 24.823 em 2005. No Rio Grande do Sul a Junta Comercial do estado registrou a abertura de 36.276 empresas em 2006 e 44.812 em 2005. Entre os três estados do sul o RS foi o que apresentou a maior queda em números de abertura de empresas - 8.536.
''Isso é o reflexo do momento que estamos passando no país, principalmente na região Sul'', afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LDR), José Joaquim Martins Ribeiro. Segundo ele, a região Sul sofre muito quando o agronegócio não vai bem. ''O agronegócio é a base da economia do Sul. Quando ocorrem problemas no campo, o reflexo é imediato. A crise na agricultura que começou em 2004, com a seca no Rio Grande do Sul e em algumas regiões do Paraná e Santa Catarina, aliada ao aparecimento da ferrugem da soja, a queda do valor do dólar e a redução do preço das comodities no mercado internacional, afetaram diretamente o agricultor que viu seu rendimento despencar. Com isso, toda a cadeia produtiva foi afetada'', disse Ribeiro.
A crise na economia também pode ser medida pelo número de fechamento de empresas. No Paraná, em 2006, foram fechadas 13.527 enquanto que em 2005 foram efetuadas 11.871 baixas. Ou seja, abriram menos empresas no ano passado e fecharam mais. Em 2006 foram abertas em Londrina 3.387 empresas e fechadas 948, conforme números da Junta Comercial do Paraná.
Muitas empresas, segundo ele, baixam as portas, mas não dão baixa na prefeitura, Receita Estadual e Federal porque seus sócios não têm dinheiro para pagar o imposto devido a estes órgãos. Para efeito de estatística, essas empresas permanecem abertas. ''Os políticos usam esses números para dizer que a economia está em evolução, mas é um engodo''.
Segundo José Ribeiro, o pacote prometido pelo governo Lula para o próximo dia 22, não deve conseguir destravar a economia. ''A não ser que eu esteja errado, o governo não deve anunciar nenhum projeto realmente decisivo. Geralmente são apresentadas apenas soluções paliativas que contribuem pouco ou quase nada para a geração de riquezas''.
O economista César Augusto Gomes, mestre em economia pela Universidade Federal de Pernambuco, concorda com Ribeiro. ''Estamos torcendo para que as ações do pacote, gestado pelos ministros Paulo Bernardo e Dilma Roussef, tenham coordenação entre si, e sejam motores de propulsão econômica. Mesmo não conhecendo esse projeto governamental, tenho a ousadia de estimar o crescimento do PIB para abaixo de 3,5% em 2007. PIB próximo a 5%, neste ano, somente se os investimentos públicos ultrapassarem R$ 142 bilhões, o que, convenhamos, se avizinha a dificílimo. No ano passado, o montante esteve abaixo de R$ 30 bilhões'', disse Gomes, em artigo publicado no site do Conselho Federal de Economia.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-LDR.





