Vânia Casado
A produção de mandioca vem crescendo no Paraná e a expectativa é colher 3,45 milhões de toneladas nesta safra, 6% sobre a produção do ano passado (3,1 milhões t). Farinheiras e fecularias já começam a enfrentar algumas dificuldades com a comercialização face à concentração entre o pico da safra da mandioca, de junho a julho, e a maior oferta de farinha do Pará, que está abastecendo os estados do Nordeste e provocando retração de demanda da farinha paranaense.
O preço da raiz vem caindo nos últimos dois meses: passou de R$ 75,00/t, no início de abril, para R$ 47,00/t neste mês. No início do ano, os produtores chegaram a receber até R$ 80,00/t de raiz, segundo o técnico Methódio Groxco, do Deral. Ele avisa no entanto, que o mercado poderá se aquecer novamente a partir dos meses de outubro e novembro, quando se inicia a entressafra.
Além do aumento da oferta de matéria-prima, outros fatores estão contribuindo para a crise. O principal mercado das indústrias paranaenses é o Nordeste que este ano está mais abastecido. Segundo Groxco, os estados do NE compraram muita farinha nos primeiros meses do ano no Pará, principal produtor de mandioca. Outro motivo é que voltou a chover na região nordestina e começou a surgir oferta de outros produtos como abóbora, milho e feijão que substituem a farinha.
Segundo o Deral, a saca de 50 quilos de farinha que era comercializada entre R$ 17,00 e R$ 18,00 nos primeiros meses do ano, caiu para R$ 11,00 a R$ 12,00/saca. Esse preço ainda permite rentabilidade, mas o temor é que o preço caia ainda mais. Daí o esforço das indústrias em conseguir recursos para comercialização e evitar a queda de preços no mercado.
Com a queda de 33% no preço, as indústrias farinheiras estão se articulando para pedir recursos para EGF/SOV, com o objetivo de socorrer os produtores. O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca, Ivo Pierin Júnior, acredita que serão necessários R$ 10 milhões para ‘‘acomodar as necessidades dos produtores neste período de concentração da oferta’’. Segundo Pierin, a indústria está preocupada em evitar a superoferta que não interessa nem aos produtores nem às farinheiras. Se o governo não atender liberar o EGF, o produtor terá que segurar a produção na terra por mais um ciclo.

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