A proporção de pobres nas seis principais regiões metropolitanas do País, que era de 33,4% em 1994, caiu para 25,1% em 1996, como efeito do Plano Real. Isso significa que nas seis maiores cidades brasileiras, os pobres representavam um terço da população, há três anos, mas no final do ano passado somente um quarto podia ser considerada pobre. Os dados são de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgados ontem em sua Carta de Conjuntura de março, e baseados na Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.
De acordo com o IPEA, a situação inegavelmente melhorou, com aumento do bem-estar social e renda também mais estável para as famílias, porém a desigualdade na distribuição de renda continua elevada, tanto que 62,4% da renda do trabalho no País está nas mãos do segmento dos 20% mais ricos. Deve-se observar, porém, que em 1994 a concentração de riqueza neste segmento era de 64,7%. Os 50% mais pobres ficavam, em 94, com 11,3% e elevaram sua fatia da renda para 12,3% em 1993. A renda per capita, que vinha em queda desde 1990, aumentou 2,7% em 96, 4,5% em 1994, 2,8% em 95 e 1,7% em 96 - houve, portanto um recuo neste último ano.
De 1990 a 1992, quando Fernando Collor era presidente da República, segundo o IPEA, ocorreu no Brasil uma espécie de milagre econômico às avessas: todos os segmentos da população perderam. De 1992 a 1994, quando governava Itamar Franco, verificou-se uma importante concentração de renda, causada pela inflação em alta: no primeiro ano de Itamar, os 20% mais ricos detinham 61,1% da renda do trabalho, no ano seguinte passaram para 62,1% e em 1994 abocanhavam 64,7%. Os 50% mais pobres, que detinham 13,1% da renda no princío do governo Itamar, encolheram sua participação para 11,3% em 94.
Na verdade, no entendimento dos técnicos do IPEA, a redução da pobreza no pós-real pode estar sendo subestimada nestes dados, porque não foi levado em conta o ganho de renda obtido pela população mais pobre graças à queda da inflação. Calcula-se que o fim da corrosão inflacionária que existia nos salários até junho de 1994 tenha significado um aumento de renda de 10% para os mais pobres.

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