O déficit em transações correntes, indicador da dependência do País em relação aos capitais estrangeiros, fechou em 3,94% do PIB (Produto Interno Bruto) no período de 12 meses encerrado em julho. Houve ligeira melhora em relação ao número apurado em junho, quando o déficit acumulado em 12 meses fechou em 4,07% do PIB, mas mesmo assim esse indicador permanece acima do recomendado por analistas internacionais.
O déficit de 3,94% do PIB significa que o Brasil gastou US$ 31,503 bilhões acima de suas receitas em suas transações de comércio e de serviços com os demais países, entre agosto de 97 e julho deste ano. O número indica o grau de dependência de capitais estrangeiros porque, sempre que gasta acima das receitas, o País é obrigado a recorrer a financiamentos externos.
Quanto maior esse déficit, maior a vulnerabilidade a crises externas, períodos em que é menor a disposição dos investidores estrangeiros de financiar países emergentes. O déficit em transações correntes inclui a balança comercial (importações menos exportações), o balanço de serviços (receitas e despesas com juros, turismo internacional, remessas de lucros e dividendos, entre outros) e as transferências unilaterais (dólares remetidos ao país por residentes no exterior e vice-versa, sem relação comercial).
A pequena redução no déficit se deve à queda do saldo negativo na balança comercial, que foi de US$ 2,382 bilhões no período de janeiro a julho deste ano, contra US$ 8,372 bilhões no mesmo período do ano passado. A balança comercial apresenta resultado mais favorável devido à alta de juros, que reduziu o crescimento, e os incentivos às exportações.
O déficit no balanço de serviços permaneceu praticamente estável, com US$ 14,848 bilhões neste ano contra US$ 14,841 bilhões em 97. Os gastos com turismo caíram depois de o governo proibir parcelamento de gastos com cartão de crédito no exterior e de impor maior taxação a essas operações. O País também perdeu parte das receitas com transferências unilaterais, que caíram de US$ 1,329 bilhão em 97 para US$ 1,197 bilhão neste ano.
No primeiro semestre, os capitais estrangeiros que ingressaram no País foram mais do que suficientes para cobrir o déficit de transações correntes e ainda sobraram US$ 18,734 bilhões, que se somaram às reservas em moeda estrangeira do BC.
O déficit em transações correntes foi de US$ 14,007 bilhões no primeiro semestre deste ano, enquanto o ingresso de capitais atingiu US$ 32,742 bilhões. Assim, o resultado do balanço de pagamentos foi de US$ 18,734 bilhões no primeiro semestre.

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