Cai número de usuários no internet banking
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sábado, 06 de outubro de 2007
Rosangela Dolis<br>Agência Estado 
São Paulo - A parcela de correntistas que usam o internet banking para fazer transferências de dinheiro, pagar contas ou consultar o saldo recuou 3 pontos porcentuais em 2006 ante 2005, segundo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Fractal, especialista em pesquisas de mercado. Em 2005, 39,4% dos correntistas usavam a internet para essas operações bancárias; em 2006, a participação, segundo a pesquisa, caiu para 36,3%.
Foram ouvidas pelo instituto pouco mais de 6 mil pessoas em 12 cidades com renda acima de R$ 800 nos dois anos. ''A principal razão apontada pelos desistentes desse canal é o medo, a falta de segurança nessas operações'', diz Celso Grisi, diretor-presidente da Fractal e professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
Do grupo de pessoas que participou da pesquisa, Grisi separou os correntistas com renda acima de R$ 4 mil para checar sua forma de uso do internet banking. ''Esses são os usuários mais intensivos de banco pela internet e por isso representam uma amostra significativa'', justificou o pesquisador.
Ele ressalta que nesse público a insatisfação com a segurança na internet cresceu mais na faixa etária acima de 31 anos. De acordo com a pesquisa, em 2006 ante 2005, o porcentual de pessoas com idade de 31 a 60 anos que considera as transações bancárias seguras na internet caiu 9,2 pontos porcentuais, de 58,1% para 48,9%. Entre os usuários com mais de 60 anos, a queda foi de 3,2 pontos porcentuais, de 53,9% para 50%.
Já os mais jovens, com idade de 21 a 30 anos, têm opinião diferente: o número dos que consideram a opção segura subiu 21,1 pontos porcentuais, de 36,1% para 57,3%. Grisi destaca que o medo de usar a internet banking tem crescido, ''mesmo com os bancos tendo feito grandes investimentos na segurança nesse canal de atendimento e sido eficientes no trato das questões relativas à segurança na rede''.
Em consequência, há um retorno desse público para as agências e para as máquinas de auto-atendimento. De acordo com dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), o número de transações em terminais de auto-atendimento atingiu 11,901 bilhões em 2006, com crescimento superior a 10% ante 2005.
A Febraban diz que os bancos brasileiros fazem um investimento importante para evitar fraudes. ''São até R$ 13 bilhões por ano em tecnologia e R$ 1,2 bilhão em combate a fraudes eletrônicas mais diretamente'', diz Wilson Salmeron Gutierrez, superintendente das Assessorias Técnicas da Febraban.
''Mas os usuários também devem ficar atentos para evitar ser vítimas de golpes'', diz Gutierrez. ''É preciso haver uma parceria em que a instituição adote procedimentos técnicos que dêem segurança ao usuário e o usuário faça o uso observando normas que reduzem riscos'', diz Gutierrez. Grisi concorda que, muitas vezes, problemas com fraude no acesso via internet são provocados pelo próprio cliente, que não toma as precauções necessárias.
De acordo com a Febraban, existem 27,3 milhões de clientes cadastrados em internet banking no Brasil e pessoas físicas fazem 3,278 bilhões de transações por ano. ''Um cuidado básico é checar se a página acessada tem um cadeado no rodapé inferior '', orienta Gutierrez.
O aumento da segurança trouxe complexidade ao acesso ao internet banking. De acordo com a pesquisa, para correntistas com renda superior a R$ 4 mil, as telas dos sites dos bancos e a forma de operação estão complicadas, opinião compartilhada até mesmo pelos jovens.
Grisi explica que os usuários têm dificuldades de acessar a sua conta por causa de pedido de várias senhas, número de chave, uso de token (dispositivo eletrônico de segurança que gera um código a cada acesso), frases e outros elementos que exigem vários cliques e passos até chegar à operação desejada.
A parcela de clientes bancários que consideram as telas simples e as operações fáceis caiu mais na faixa acima de 60 anos - queda de 9,7 pontos porcentuais, de 81,4% para 71,7%. A queda foi de 8,9 pontos porcentuais, de 80,7% para 71,8%, na faixa etária de 31 a 60 anos, e de 5,3 pontos porcentuais, de 76,7% para 71,4%, entre jovens de 21 a 30 anos.


