Cai número de pedidos de recuperação judicial em 2017
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

Apesar do movimento contrário no Paraná, os pedidos de recuperação judicial e as recuperações aprovadas apresentaram queda em 2017 no País, segundo dados da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Os pedidos de falência também recuaram em relação a 2016. No acumulado do ano, houve redução de 23,7% dos pedidos de recuperação judicial; 18,9% de deferimento e 18,2% de pedidos de falência. O setor de serviços liderou os pedidos de recuperação (44%), seguido de comércio (32%) e indústria (24%).
O Paraná andou na contramão, de acordo com dados da Junta Comercial do Estado. O volume de pedidos de recuperações judiciais cresceu 23,25%, enquanto as falências caíram 31,46%, no mesmo período.
Os indicadores mostram que passado o período de retração econômica, redução do consumo, restrição e encarecimento do crédito, as empresas voltam agora a esboçar sinais mais sólidos dos indicadores de solvência. "Nos últimos dois anos tivemos uma perda da receita das empresas com o aumento dos custos por causa da inflação elevada e dificuldade de tomada de crédito. Agora, percebemos que apesar da restrição do crédito continuar, os juros caíram e a situação de caixa das empresas começa a melhorar, por isso acredito que em 2018 os índices continuem recuando", afirma o economista Flávio Calife, da Boa Vista SCPC .
As pequenas empresas representaram 94% dos casos de pedidos de recuperação judicial e 93% dos casos de pedidos de falência no Brasil. O economista ressalta que as pequenas empresas foram mais atingidas pelo aumento dos custos de manutenção e restrição de crédito. "O crédito é mais restrito e caro para essas empresas. E no momento de crise, as grandes empresas cortam custos operacionais, reduzindo os fornecedores, o que atinge as pequenas", explica.
O setor de serviços também foi o mais atingido pelos pedidos de falência (44%), seguidos do setor Industrial (30%) e do Comércio (26%). Com relação à variação dos pedidos de falência, a Indústria foi o setor que mais reduziu na comparação dos valores acumulados no ano, com queda de 33%.
PARANÁ
Um exemplo de pedido de recuperação judicial no Paraná foi o do Grupo Seara (que não é ligado ao Grupo JBS), de Sertanópolis. A empresa entrou com medida na justiça em abril do ano passado, o processo chegou a ser suspenso, mas foi retomado em novembro.
A Seara deve apresentar ainda este mês o plano de recuperação judicial. As dívidas do grupo, de acordo com o exposto no processo judicial, são de R$ 2,7 bilhões, sendo R$ 2,2 milhões em dívidas trabalhistas, R$ 1,2 bilhão em garantia real, R$ 1,4 bilhão na categoria quirografários e R$ 2,6 milhões com micro e pequenas empresas.
Apesar do percentual de recuperação judicial mais alto no Estado, o presidente da Junta Comercial do Paraná, Ardissson Akel, considera isso um dado positivo. "É uma notícia boa para o Paraná. Demonstra que as empresas que estavam com graves dificuldades financeiras conseguiram, de alguma maneira e com o apoio dos credores, dar continuidade nos negócios, evitando assim o efeito cascata. Quando uma empresa fecha, ela não atinge só os trabalhadores, mas também os fornecedores", sustenta Akel.
Ele também acredita que o aumento no número de pedidos de recuperação em 2017 é reflexo direto do agravamento da crise em 2016. "O ano de 2016 foi o mais traumático, e os protestos apresentados, objetos dos pedidos de recuperação judicial, refletiram em 2017 por causa da morosidade do processo", comenta o presidente da Junta.


