Cai nível de emprego na indústria de SP
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terça-feira, 13 de maio de 1997
Agência Estado de São Paulo 
Arquivo FolhaSaldo negativoDe 46 setores pesquisados pela Fiesp, 31 informaram que demitiram mais do que contrataram no mês passadoO nível de emprego na indústria paulista caiu 0,58% em abril, o correspondente à demissão de 10.840 trabalhadores. Foi o maior número de dispensas de trabalhadores desde agosto, quando foram fechadas 29.331 vagas nesse setor de atividade no Estado, segundo levantamento feito pelo Departamento de Pesquisa (Depea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
As dispensas foram concentradas nas duas últimas semanas de abril, período em que 6.348 trabalhadores, pouco mais de 58% do total, perderam seus empregos. O diretor do Depea, Horácio Lafer Piva, porém, não vê relação entre o cenário da conjuntura econômica e o desemprego no Estado. Para ele, o desemprego é fenômeno estrutural. A cada dia é maior o número de indústrias que abandona a região metropolitana de São Paulo e se transferem para o interior do Estado ou para outras regiões do País, disse.
A comparação com os índices do primeiro quadrimestre do ano passado mostra que o desemprego não está se agravando. Houve até um abrandamento, considerando que a taxa acumulada do nível de emprego caiu 1,97% desde janeiro, pouco mais da metade do apurado nos primeiros quatro meses de 1996, quando o índice medido pela Fiesp caiu 3,54%. Desde o início da circulação do real, já são 297 mil trabalhadores demitidos pela indústria.
O diretor da Fiesp está convencido de que a tendência continua sendo de estabilidade na oferta de trabalho industrial. Segundo acredita, os investimentos feitos no setor produtivo, breve, resultarão num novo ciclo de desenvolvimento que deverá beneficiar o Estado de São Paulo de forma especial. A decisão do governo de restringir o crédito ao consumidor com o objetivo de limitar as importações e, com isso, reduzir o déficit comercial, não deverá afetar o nível de atividade da indústria, nem a oferta de emprego, afirmou Piva.
Para ele, o governo erra ao tomar providência para coibir o crescimento do mercado consumidor. É preciso lembrar que o mercado doméstico é o principal ativo do Brasil, motivo de atração dos investimentos externos. Dentre os 46 setores de atividade pesquisados pela Fiesp, 31 informaram que demitiram mais do que contrataram durante o mês passado. Entre estes, os que mais dispensaram funcionários foram os fabricantes de alimentos congelados e de produtos de cacau e balas, gráficas, indústrias de mármores e granitos, de materiais e equipamentos ferroviários, bebidas, doces e conservas, malharias e fiações e tecelagens. Os que mais contrataram foram as indústrias de calçados de Franca, fundições, remédios e pneumáticos.


