O caos aéreo instalado no País nos últimos dois anos também deixa seus reflexos em Londrina. A reestruturação da malha, que ocorreu a partir dos acidentes, somada à falta de infra-estrutura do aeroporto local levaram à uma redução do número de vôos (pousos e decolagens) e a menor movimentação de passageiros que embarcaram ou desembarcaram na cidade. Segundo dados da Infraero, no ano passado foram 102 vôos a menos do que em 2006 e 8.852 passageiros a menos do que o registrado há dois anos.
No ano passado foram feitos 21.007 pousos e decolagens contra 21.109 em 2006. No entanto, a diferença maior ocorreu no volume de passageiros (embarque, desembarque e conexões): foram 509.544 no ano passado contra 518.396 em 2006. Essa movimentação negativa está na contramão do registrado na Superintendência Regional do Sul (que engloba 11 aeroportos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), uma vez que houve aumento tanto no número de vôos quanto na quantidade de passageiros.
Juntos, os aeroportos da Região Sul receberam no ano passado 1.205.475 passageiros a mais do que em 2006. Também foram 24.752 vôos a mais no ano passado na comparação com 2006. No total, os 67 aeroportos brasileiros administrados pela Infraero tiveram aumento de 8,24% no movimento de passageiros e crescimento de 8,87% no movimento de vôos domésticos. O Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos) foi o mais movimentado da rede com 18,7 milhões de passageiros.
Apenas três companhias aéreas operam na cidade - Gol, Tam e Trip - mas, por enquanto, não há disposição das duas maiores empresas em aumentar o número de vôos. Procurada pela reportagem, a Gol informou, através da assessoria de imprensa, que não irá aumentar a quantidade de vôos a partir de Londrina neste ano. A empresa, que controla a Nova Varig, disse que esta companhia também não voltará a operar na cidade em 2008. A Tam também foi procurada, via assessoria de imprensa, mas não respondeu aos questionamentos.
Apenas a Trip informou que aguarda autorização do Departamento de Aviação Civil para operar mais um vôo. O destino final seria Porto Alegre (RS), com escala em Cascavel. O avião deixaria Londrina entre o final da tarde e o início da noite e, pela manhã, percorreria o trecho inverso. Ao contrário das outras companhias, a Trip ampliou o número de vôos no segundo semestre do ano passado com a linha Londrina-Curitiba, de segunda a sexta-feira, às 8h15, e retorno às 18h30.
Além disso, a companhia atua em destinos do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo. ''Atuamos muito com o segmento do agribusiness e, por isso, a ocupação de novas aeronaves está muito boa. Neste momento, estamos sentindo apenas a sazonalidade do período na linha Londrina-Curitiba; a taxa de ocupação caiu de 20% a 25%'', diz Ronaldo Telles, representante da Trip em Londrina. Na sua avaliação, a falta do ILS (instrumento de pouso por navegação) atrapalha a operação da companhia na cidade. ''Temos muitos vôos cancelados'', comenta.
Para o superintendente regional da Infraero em Londrina, Carlos Haroldo Novak, a falta do ILS não tem nada a ver com o baixo desempenho do aeroporto local. ''A responsabilidade pela instalação do ILS é do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), a Infraero é responsável apenas pela manutenção do equipamento'', explica. Na sua avaliação, no entanto, o baixo movimento teria sido influenciado pelas promoções realizadas pelas empresas.
''O mercado é bastante sensível e, em muitos casos, as promoções não são válidas para todos os trechos'', comenta Novak. Segundo ele, o terminal instalado oferece toda a infra-estrutura necessária ao desenvolvimento da cidade, tanto que a sua estrutura física é sub-aproveitada, com utilização de apenas 63% da capacidade instalada. ''Temos capacidade para recebermos 900 mil passageiros por ano, mas recebemos cerca de 500 mil'', informa.

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