Cai jornada na indústria em janeiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
O ritmo fraco da atividade econômica provocou uma redução na carga semanal média de trabalho dos assalariados da região metropolitana de São Paulo em janeiro. Os trabalhadores da indústria tiveram uma carga média de 38 horas semanais, a menor já observada desde 1985, segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
No total dos assalariados, a carga média de trabalho caiu de 44 horas semanais em dezembro para 40 horas em janeiro. Essa carga também foi uma hora menor que a observada nos anos de 1996 e 1997 para o mesmo período, e quatro horas inferior à carga de trabalho de janeiro nos anos de 1994 e 1995, que foi de 44 horas semanais.
Isso indica que a reposição de estoques feita pelo comércio foi pequena e não movimentou a atividade industrial, observa o diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. Na sua avaliação, alguns setores foram beneficiados com vendas mais fortes no mês passado, mas no conjunto a atividade caiu. A pesquisa também constatou estabilidade no índice de desemprego da região metropolitana de São Paulo, que repetiu os 16,6% de dezembro e novembro.
O resultado de janeiro surpreendeu positivamente porque o comportamento normal para essa época do ano é de aumento no número de desempregados. Esperávamos uma pequena subida no índice, informou o diretor-executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. Na comparação com janeiro do ano passado, o total de desempregados aumentou em 20,5%, equivalendo a mais 341 mil pessoas sem trabalho na região.
Este movimento atípico é explicado, segundo Martoni Branco, pelo comportamento anormal do desemprego no fim do ano passado. Nos últimos meses de 1997, o índice manteve-se em 16,6% (resultado dos meses de novembro e dezembro), indicando que comércio e indústria não fizeram as contratações temporárias normais para aquela época do ano.
Embora o índice de desemprego tenha permanecido estável em janeiro, foram feitas 83 mil demissões no mês, das quais 45 mil na indústria, 22 mil no comércio e 7 mil em serviços. Essas demissões não provocaram aumento do índice porque 100 mil pessoas deixaram de procurar uma ocupação no período. A diferença entre os 100 mil que saíram da População Economicamente Ativa (PEA) e os 83 mil demitidos provocou uma redução de 13 mil pessoas no número total de desempregados da região, que passou de 1,431 milhão de pessoas em dezembro para 1,414 milhão de pessoas em janeiro.
Para os próximos meses, a previsão dos responsáveis pela PED é de manutenção do nível de desemprego em um percentual muito próximo aos 16,6% dos últimos três meses.


