Cai investimento em qualificação de mão-de-obra
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sábado, 12 de maio de 2007
Marcelo Rehder<br> Agência Estado 
São Paulo - O Brasil regrediu no gasto com formação e qualificação de mão-de-obra na última década, ao contrário da retórica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1995, os recursos para esse tipo de programa, pelos Ministérios do Trabalho e da Educação e pelo Sistema S (composto por instituições cujas siglas começam com S, como Senai, Sesi, Senac e Sesc), representaram 0,39% do Produto Interno Bruto (PIB) e beneficiaram 6,1% da População Economicamente Ativa (PEA). Dez anos depois, caíram para 0,33% do PIB, atendendo 5,2% da força de trabalho.
Nesse mesmo período, o número de brasileiros desempregados quase dobrou - de 4,5 milhões para 8,9 milhões. Apesar disso, falta mão-de-obra especializada no mercado. Empresas como a Embraer, Weg e Pão de Açúcar têm que se empenhar para resolver as limitações dos trabalhadores disponíveis, muitas vezes transformando seus escritórios e fábricas em salas de aula. ''O que o Brasil gasta nessa área não é desprezível, mas a eficiência desse gasto é bastante duvidosa'', diz o economista Márcio Pochmann, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autor do estudo sobre investimentos na formação e qualificação de mão-de-obra.
Segundo ele, em relação ao PIB, os gastos do País nessa área equivalem aos de nações desenvolvidas, como França e Bélgica. A diferença, destaca, é que o Brasil não tem um sistema nacional de formação profissional. ''Ainda prevalece a fragmentação institucional, o que leva a uma disputa entre os programas dos ministérios e do Sistema S, sem atender ao perfil da demanda das empresas.''
Conforme o estudo do economista, o volume de recursos para formação e qualificação profissional atingiu R$ 7,1 bilhões em 2005. Desse total, R$ 5,9 bilhões vieram do Sistema S. Suas escolas são financiadas pelo recolhimento de 1% sobre a folha de salários das empresas.
Além da contribuição compulsória, um número cada vez maior de empresas têm que fazer o papel de escola. A Embraer, por exemplo, tinha dificuldade para recrutar engenheiros especializados na fabricação de aviões. A saída foi promover estágios e cursos de 18 meses no Programa de Especialização em Engenharia da empresa. Criado em 2002 em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o programa já atendeu 810 engenheiros. Todos foram contratados pela Embraer. Os investimentos da empresa nesses profissionais já chegam a US$ 107 milhões. Em 2006, foram US$ 29,6 milhões. ''Abrimos 100 vagas este ano'', informa Eunice Rios, diretora de Desenvolvimento e Pessoas da Embraer.
No primeiro mandato de Lula, o Ministério do Trabalho repassou apenas R$ 265,8 milhões para qualificação profissional. No segundo mandato de FHC (1999-2002), foram mais de R$ 1,5 bilhão. Para este ano, estão previstos R$ 120 milhões de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para qualificar mão-de-obra. Na reunião do Conselho Deliberativo do FAT (Condefat) de sexta-feira, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu a ampliação do valor. Para ele, é preciso pelo menos triplicá-lo este ano e muito mais em 2008.


