Cai interesse do consumidor por novos produtos
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terça-feira, 23 de agosto de 2005
Márcia De Chiara<br>Agência Estado 
São Paulo - O interesse do consumidor de experimentar novos produtos diminuiu 25% nos últimos três anos, em resposta à enxurrada de itens que chegam diariamente às prateleiras dos supermercados. A constatação, alicerçada em pesquisas, é do especialista americano Brian Harris, pai do conceito de gerenciamento de categorias. Essa técnica permite ampliar o faturamento e o lucro administrando de forma lógica os itens nas redes de varejo.
Segundo Harris, o grande número de produtos que chegam ao mercado é um problema. ''Poucos correspondem às necessidades dos consumidores. Isso deixa o cliente confuso no momento da compra.'' Pelo fato de a maioria dos novos produtos ser mais duplicação dos já existentes do que inovação, eles acabam tirando venda de itens regulares. O resultado é que as vendas não aumentam e, pior, o custo de administrar um grande número de itens não pára de crescer.
É exatamente essa questão que Harris, PhD em marketing pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, vai discutir esta semana com executivos da indústria e do comércio num seminário em São Paulo, da Associação ECR Brasil. A entidade reúne a cadeia de abastecimento do varejo.
O especialista pondera que o ritmo frenético de lançamento de produtos tem sido uma tendência observada na última década nos países desenvolvidos. A razão dessa estratégia é defensiva, para preservar a fatia de mercado da marca e compensar o declínio das vendas dos produtos existentes.
Hoje, no Brasil, 25% dos itens à venda nos supermercados foram lançados no último ano, índice equivalente ao de outros países. De acordo com o especialista, calcula-se que há entre 30 mil e 40 mil novos itens lançados todos os anos. Na Europa, esse número varia entre 15 mil e 70 mil. No Brasil, em média, cerca de 11 mil novos produtos são lançados a cada ano.
O resultado do grande número de lançamentos, especialmente de produtos duplicados, é um índice elevado de mortalidade de produtos. Estimativas apontam que cerca de 90% dos novos itens não têm mais de dois anos de vida, observa Harris. ''Entre 60% e 75% dos novos itens, em média, terão falhado no seu objetivo e não estarão sendo mais distribuídos.''


