Cai índice de inflação das famílias de baixa renda
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terça-feira, 06 de julho de 2010
Das agências 
São Paulo - A inflação para a faixa da população de menor renda se desacelerou em junho, com variação negativa de 0,38%. Foi a menor taxa desde setembro de 2008, quando o índice recuou 0,57%. Com esse resultado, o indicador acumula alta de 4,78% no ano e de 5,49% nos últimos 12 meses, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).
O Índice de Preços ao Consumidor-Classe 1 (IPC-C1) é calculado a partir das despesas das famílias com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos (de R$ 510 a R$ 1.275).
Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor-Brasil (IPC-BR) registrou queda de 0,21%. A taxa do indicador nos últimos 12 meses ficou em 4,93%. Cinco das sete classes de despesa componentes do índice apresentaram queda em suas taxas de variação.
O principal destaque foi o grupo alimentação (-0,20% para -1,31%). Também apresentaram recuos nas variações os grupos habitação (0,63% para 0,14%), saúde e cuidados pessoais (0,66% para 0,40%), educação, leitura e recreação (zero para -0,05%) e vestuário (0,80% para 0,78%).
A taxa do grupo transportes recuou 0,01%. Em alta, o grupo despesas diversas subiu de 0,16% para 1,64%.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe se desacelerou para 0,04% em junho, após a alta de 0,22% no mês anterior.
O economista da FGV, André Braz, ressaltou que a variação negativa de junho ainda não foi suficiente para reverter a perda de poder de compra ocorrida nessa classe de renda, cuja inflação acumulou uma alta de 4,78% no primeiro semestre. Desse total, mesmo com o recuo de junho, os alimentos contribuíram com 60%.
Braz exemplifica que a elevação dos produtos alimentícios no primeiro semestre, no âmbito do IPC-C1, foi puxada por produtos como leite longa vida (25,11%), feijão carioca (63,65%), açúcar cristal (20,57%) e batata inglesa (20,49%).
Em junho, a maior parte dos alimentos inverteu o sinal e esse grupo de produtos registrou deflação de 1,31%, garantindo a queda no índice. De acordo com Braz, a exclusão dos alimentícios da taxa levaria a uma inflação de 0,27% no mês. ''O peso dos alimentos é muito grande nas despesas dessas famílias, quanto menor a renda, maior o peso desses produtos'', explica.
Segundo o economista, os reajustes de preços dos alimentos devem continuar dando uma trégua aos mais pobres em julho.


