Apesar da retomada do crescimento da economia nos últimos meses, a confiança do empresário industrial para realizar investimentos teve uma pequena queda, de 0,5 ponto porcentual, no segundo trimestre. De acordo com o índice da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que faz esse levantamento, a confiança dos empresários caiu de 64,7 pontos no primeiro trimestre, para 64,4 no segundo.
A pesquisa foi feita entre os dias 15 de junho e 17 de julho, justamente o período em que o Banco Central anunciou duas quedas consecutivas na taxa básica de juros, que caiu de 18,5% para 17%.
A queda foi provocada pela mudança da percepção dos pequenos e médios empresários. De acordo com o levantamento da CNI, o indicador para esses industriais passou de 62,4 para 61,9 pontos, enquanto o número referente aos grandes empresários manteve-se estável, variando de 68,7 para 68,8 pontos.
Na avaliação do presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, a explicação para essa mudança é que os pequenos empresários demoram mais para recuperarem-se de um período de crise do que os grandes. ‘‘Os pequenos e médios empresários têm mais dificuldade para ter acesso ao crédito ou a informações’’, disse. ‘‘Demora um tempo para haver reflexo da queda da taxa de juros porque há um intervalo entre os bancos anunciarem a queda e os bancos oferecerem a nova taxa.’’
Para o presidente da CNI, a variação no índice de confiança, de 0,5 ponto porcentual, ‘‘é muito pequena’’ e não afeta a credibilidade na economia do País. ‘‘A estabilização da confiança do empresário desde o último trimestre do ano passado não indica uma estagnação na confiança, mas que há um clima de otimismo responsável no País’’, avaliou Moreira Ferreira.
O índice geral de confiança do empresário saltou de 57,3 pontos no terceiro trimestre de 1999, para 63,8 pontos no último trimestre.
Também o índice que mede a confiança dos empresários, em geral, na economia caiu de 57,3 para 56 pontos no segundo trimestre deste ano depois de quatro trimestres de crescimento consecutivo. No terceiro trimestre de 1999, esse número era de 40,2, abaixo de 50, que é considerado como um grau de confiança médio pelos técnicos da CNI.
Como o índice de confiança do empresário com relação à sua própria empresa, ao contrário, aumentou de 56,4 para 57,8 pontos no último levantamento, Moreira Ferreira acredita que a explicação para essa diferença é que o empresário percebe mais rapidamente a melhora da economia em sua empresa do que no País, de modo geral. O índice que mede a confiança do empresário no seu setor de atuação também continuou estável, variando de 53,7 para 53,6 pontos.
Com relação à expectativa para os próximos seis meses, mais uma vez o levantamento indica que a confiança do industrial é maior na sua empresa e no setor em que atua do que na evolução econômica do País. Esses índices variaram de 66 para 64,6 pontos com relação à economia brasileira, de 66,6 para 66,1 com relação ao setor e de 72 para 71,5, com relação à empresa .
A CNI ouviu 1.317 empresários em 19 Estados, sendo 1.091 pequenos e médios e 226 grandes empresários, consideradas grandes empresas aquelas com mais de 500 empregados.

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