Cai índice de agrotóxico nos alimentos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de maio de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encerra o segundo ano do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos com uma boa notícia para o consumidor: dos nove alimentos pesquisados, sete apresentaram redução no índice de contaminação. Foram analisados 1369 amostras de alface, banana, batata, cenoura, laranja, maçã, mamão, morango e tomate.
A maior diminuição foi constatada no tomate, que em 2002 apresentou resíduos em 26,1% das amostras e, em 2003, não apresentou contaminação. Por outro lado, foi observado crescimento no índice de resíduos no mamão (cuja contaminação aumentou de 19,5% para 37,66%) e no morango (com aumento de 46% para 54,44%).
A análise também permite identificar a presença de resíduos de agrotóxicos acima do limite máximo permitido e a utilização de produtos não autorizados para determinadas culturas. Do total de amostras, 12,24% apresentaram irregularidades, sendo que 89% das ocorrências dizem respeito ao uso de agrotóxicos não permitidos. Em 2002, o índice de irregularidades foi de 18,27%.
O gerente de avaliação de risco da Gerência de Toxicologia da Anvisa, Ricardo Velloso, comentou que é necessária uma série histórica de três anos de pesquisa para afirmar se a redução nos índices de contaminação foi efetiva. ''Pode ter sido um acaso'', disse. As mesmas culturas serão pesquisas em 2004 para confirmar os resultados.
Ele acredita, entretanto, que as redes de supermercado parceiras colaboraram para a diminuição do problema. ''Quando encontramos amostras irregulares, avisamos as redes, que repassam o resultado para os produtores'', contou.
Ele exemplificou que, em Pernambuco, a vigilância estadual aciona o Ministério Público (MP) quando detecta irregularidades. O MP notifica o produtor e proíbe a venda da produção até a apresentação de um laudo laboratorial atestando que o alimento está livre do agrotóxico ilegal. ''Dessa forma, chegamos ao foco do problema'', analisou.
Ele também observou que a eliminação de resíduos irregulares no tomate (cultura que demanda grande utilização de defensivos) e o crescimento do índice de contaminação no mamão surpreenderam os técnicos. ''No caso do mamão, achamos que não encontraríamos problemas por se tratar de uma cultura de exportação'', afirmou.
A pesquisa foi realizada em parceria com vigilâncias sanitárias estaduais e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) nos estados do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. O Paraná, além de participar da etapa de coleta de amostras, faz análise dos alimentos coletados através do Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen).


