Brasília - Caiu o ritmo da geração de empregos com carteira assinada. Em julho último, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho, foram criados 117.473 postos de trabalho formais. Embora positivo, o número é bem menor do que o verificado em julho do ano passado, quando a geração de empregos foi de 202.033 postos, sendo também inferior ao resultado de junho deste ano, quando o mercado de trabalho foi capaz de criar 195.536 novos empregos. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu o resultado à alta dos juros e recomendou ''menos cautela'' ao Banco Central.
Os dados captados pelo Ministério do Trabalho junto às empresas e computados no Cadastro Geral de Empregados e Demitidos (Caged) registram desaceleração no volume de empregos também no acumulado do ano. De janeiro a julho de 2004 o saldo líquido do emprego atingiu 1.236.689 novos postos de trabalho. No mesmo período deste ano, o resultado ficou em 1.083.776.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, admitiu que o ritmo de crescimento do emprego perdeu velocidade. Para ele a desaceleração é causada, em parte, pelo efeito dos juros altos na economia. Marinho argumentou que se o Comitê de Política Monetária (Copom) já tivesse iniciado a redução dos juros, a geração de empregos poderia ganhar velocidade mais rapidamente. ''Eu recomendaria menos precaução ao Banco Central'', observou. Mesmo num cenário menos favorável que no ano passado, Marinho reafirmou a meta fixada para este ano, de geração de pelo menos uma média de 100 mil novos empregos por mês.
Ele também admitiu que, em 2005, não será possível repetir o desempenho de 2004, quando o saldo líquido do emprego superou 1,5 milhão. ''Vamos repetir 2004 em 2006'', prometeu. Para este ano, Marinho acredita que o saldo líquido do emprego vai ficar em torno de 1,25 milhão.
A indústria foi o setor que mais contribuiu para a queda no ritmo de geração de empregos em julho. Foram gerados apenas 6.119 postos, contra 56.027 abertos em julho de 2004. A variação positiva do emprego no mês foi puxada pelos serviços (32.229), agricultura ( 32.447) e comércio (28.899). Também foi positiva a criação de postos de trabalho na construção civil (13.475).

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