Curitiba - O fluxo total de veículos pelas estradas pedagiadas do Brasil recuou 0,5% em junho na comparação com maio. Os dados fazem parte do Índice ABCR, divulgado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) em conjunto com a Tendências Consultoria Integrada. O fluxo de veículos leves aumentou 0,4% em junho com relação ao mês anterior. "O resultado recupera a queda de 0,4% em maio comparado a abril, mas a tendência é de moderação, principalmente por conta do medo da inflação, do baixo crescimento do emprego e da renda e da massa salarial crescendo menos", disse o economista da Tendências, Rafael Bacciotti.
De acordo com ele, somam-se a esses fatores o mercado de crédito que está muito fraco e a confiança em baixa. Neste mesmo período, o Índice de Confiança do Consumidor, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) cresceu 1%. "Um pequeno ajuste, que não recupera o patamar. O viés continua a ser de queda", conclui.
A movimentação dos veículos pesados recuou 4,3% em junho contra maio. Segundo ele, a queda dos pesados se intensificou em função da atividade industrial fraca, com o desempenho ruim do setor automotivo, que sofre com um quadro fraco de vendas no mercado interno e externo, agravadas pela crise dos pagamentos das dívidas e situação econômica da Argentina, importante parceiro comercial do Brasil. De acordo com o economista, outro fator que levou à retração dos veículos pesados foi a diminuição dos dias úteis de junho com a Copa do Mundo, o que limita a atividade industrial.
Para ele, o fluxo de pesados está muito associado à dinâmica da indústria. "Isso fica bem claro quando olhamos os últimos dados de produção do IBGE, que teve sua terceira queda consecutiva", afirmou Bacciotti. A produção de veículos caiu 16,9% em junho na comparação com maio, segundo dado da Anfavea. "Medidas como a adoção de programas de demissão voluntária e férias coletivas mostram que o ambiente está fraco, com impacto negativo no setor automotivo e na indústria como um todo", analisou.
No Paraná, o fluxo total de veículos ficou estável em junho na comparação com maio. O fluxo de veículos pesados caiu -2,4% e o de leves teve crescimento de 1,1%.
Em junho, com relação ao mesmo período de 2013, o índice total apresentou alta de 0,9% no Brasil. O fluxo de veículos leves aumentou 4,4%, enquanto o fluxo de pesados recuou 7,8% no País. No Paraná, o fluxo total teve alta de 2,5% em junho, o de pesados caiu 2,4% e o de leves cresceu 5,7%.
No primeiro semestre do ano, o fluxo total de veículos teve expansão de 4,1%, o de leves cresceu 6,3% e o de pesados cedeu -1,7% no Brasil. Segundo Bacciotti, o índice geral cresceu impulsionado pelos veículos leves. No Paraná, de janeiro a junho houve crescimento de 4,9% no fluxo total, de 6,1% no de veículos leves e de 2,5% no de pesados.
Na comparação dos últimos 12 meses terminados em junho, o fluxo total de veículos teve expansão de 4,2% no Brasil, sendo que leves cresceram 5,7% e o pesados, 0,4%. No Paraná, houve crescimento de 4,6% no fluxo total, de 3,6% no de pesados e de 5,1% no de leves.
Bacciotti não acredita em um aumento significativo no fluxo de veículos no segundo semestre. "Até o período eleitoral, os investimentos e a produção industrial continuam em ritmo fraco", disse. Ele acredita que o fluxo total de veículos deve fechar abaixo dos 3,8% de 2013.

Imagem ilustrativa da imagem Cai fluxo de veículos em estradas pedagiadas
| Foto: Gustavo Carneiro