Cai em 70% a entrada de piratas por Foz do Iguaçu
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domingo, 08 de fevereiro de 2009
Agência Estado 
São Paulo - O aumento da fiscalização na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, parece que está dando resultado. Pelo menos é o que diz o Conselho Nacional de Combate à Pirataria, órgão ligado ao Ministério da Justiça. Houve uma redução de 70% na entrada de produtos piratas entre 2004 e 2007. Isso não significa que diminuiu o fluxo de muambas. Tanto que as apreensões em todo o País saltaram de R$ 452 milhões em 2004 para R$ 1,2 bilhão em 2008. O número de prisões se multiplicou por 30.
Nesse cenário, São Paulo centralizou a distribuição de produtos falsificados e contrabandeados, mas outras capitais como Brasília, Rio e Porto Alegre viram seus camelódromos crescerem sem controle. Até mesmo a tradicional Feira de Caruaru, em Pernambuco, foi invadida por piratas.
No Paraguai, Salto Del Guairá, vizinha de Guaira e de Mundo Novo (MS), virou a nova porta de entrada. De olho nesse potencial, o irmão do empresário Law Kin Chong abriu um shopping popular de 30 mil metros quadrados na cidade paraguaia, segundo a Polícia Federal (PF) de Guaira. O América Kin tem duas grandes lojas de 5 mil m2 só com mercadoria chinesa. Eles vendem produtos baratos e evitam falsificação de marcas famosas, diz o delegado-chefe da PF Érico Saconato. O advogado de Law Kin Chong, Miguel Pereira Neto, afirma que Law não fala com o irmão faz 12 anos e nada tem a ver com o negócio paraguaio.
De Salto Del Guairá, a PF estima que chegam de 15 a 20 carretas de cigarro por dia - com cargas avaliadas em
R$ 300 mil -, contrabandeadas para o Brasil. A rota e os esquemas de transporte usados pelos contrabandistas tendem a ser os mesmos dos traficantes de droga e arma. Josimar Marques Soares, o Polaco, pivô da maior chacina do Brasil, ocorrida em Guaira em setembro, quando 15 pessoas morreram, era investigado pela PF por suas atividades como intermediário e transportador de drogas, armas e contrabandos para centros brasileiros via Paraguai.
No Brasil, os escritórios de advocacia têm enorme dificuldade em combater as atividades. Sabemos onde estão sendo produzidos, como chegam, fazemos apreensões todos os meses, mas é difícil combater o crime porque ele é de pequeno potencial ofensi-vo, explica o advogado Wellington S. de Oliveira, que representa as marcas Disney, Adidas, Reebok e Everlast, entre outras. Ainda que as empresas ingressem com uma queixa-crime, o falsário muitas vezes se livra pagando o delito com cestas básicas.


