São Paulo - Um estudo do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado ontem, destacou a existência de uma tendência de aproximação dos pisos salariais e do salário mínimo oficial, percebida no ano passado.
De acordo com a entidade, este movimento vem ocorrendo já há alguns anos, mas a proporção de categorias profissionais cujo piso negociado não supera o mínimo em 25% aumentou ''consideravelmente''. ''No atual cenário de valorização do salário mínimo, essa aproximação significa que os pisos, embora tenham evoluído de maneira positiva, não asseguraram ganhos reais na mesma proporção que os aplicados ao salário mínimo oficial'', avaliou o Dieese.
O documento mostra que em 77% dos casos de negociação no ano passado, o patamar de 1,5 salário mínimo não foi ultrapassado, enquanto 56% atingiram no máximo 1,25 salário mínimo. Apenas 2% das negociações chegaram a um piso superior a três mínimos.
Na comparação com os dados de 2005 e 2006, a proporção de negociações cujos pisos atingiram 1,25 salário mínimo passou de 25% em 2005 para 56% em 2007. Neste contexto, diminuiu a proporção de categorias que chegaram a um piso superior a 2,5 salários mínimos, passando de 9,5% em 2005 para 4,5% no ano passado.
O Dieese atribuiu a tendência de aproximação do mínimo e do piso ''aos efeitos da política de recuperação do salário mínimo, que tem resultado em sucessivos reajustes em porcentuais superiores à inflação''. De acordo com os números do IBGE, o aumento real do mínimo entre 2005 e 2007 foi de 19%, cita a entidade.
Para o Dieese, apesar de os ganhos alcançados pelos pisos salariais terem sido menores do que os obtidos pelo salário mínimo, ''esse resultado decorre mais da evolução do salário mínimo e menos de resultados ruins na negociação dos pisos salariais, que também foi favorável aos trabalhadores''. Isso porque as negociações coletivas realizadas no período asseguraram aumentos reais de salário.

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