Cai dependência do Brasil por petróleo importado
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Rio A dependência brasileira do petróleo importado está abaixo de 10%, o que representa cerca de metade do observado em 2001 e cerca de um terço dos níveis vigentes em 2000. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), órgão do governo responsável pelo acompanhamento e fiscalização do setor no País, o Brasil tinha uma dependência externa de 494 mil barris equivalentes de petróleo por dia em 2000, o que dava um indicador de dependência de 27,5%, considerando que o consumo aparente nacional estava em 1,795 milhão de barris diários naquele ano.
Nos dez primeiros meses de 2002, porém, o País precisou importar cerca de 179 mil barris por dia para um consumo total de petróleo e derivados em torno de 1,73 milhão de barris diários. Ou seja, de cada dez barris de petróleo consumidos internamente, o Brasil precisou importar apenas um em 2002, enquanto há dois anos essa relação era de quase três barris para cada grupo de dez. Há dez anos, segundo a ANP, a relação de dependência estava próxima a 50%. Em 1992, por exemplo, o petróleo e os derivados vindos do exterior representavam 47,1% do consumo nacional e esse patamar se manteve quase inalterado até 1997 (45,1%), quando a produção interna começou a crescer de forma acelerada. Em 1998 a relação de dependência calculada pela ANP caiu para 38,8%, para 33,9% em 1999, 27,5% em 2000 e 19,4% em 2001.
A redução da dependência resulta basicamente da forte expansão da produção interna, considerando que o consumo também está crescendo. Nos dez primeiros meses de 2002, por exemplo, a produção nacional cresceu 14%, atingindo a média de 1,55 milhão de barris diários, enquanto o consumo aumentou 2,5% em relação ao mesmo período de 2001 (média de 1,73 milhão de barris nos primeiros dez meses de 2002). Com isso, as importações de petróleo e derivados caíram cerca de 50% no ano passado, reduzindo a dependência externa.
O aumento interno da produção de petróleo está se fazendo sentir também na balança comercial. Conforme dados da ANP, no período de 12 meses encerrado em outubro de 2002, o Brasil despendeu US$ 5,61 bilhões na compra de petróleo e derivados no exterior e obteve receita de US$ 2,84 bilhões, gerando um saldo negativo de US$ 2,77 bilhões. Apesar de elevado, essa ''sangria'' é cerca de metade do observado em 2001. Naquele ano o Brasil teve de desembolsar US$ 6,8 bilhões na compra de petróleo e derivados no exterior e obteve receitas de apenas US$ 2,15 bilhões, gerando uma despesa líquida de US$ 4,64 bilhões.


