Cai déficit externo do País
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segunda-feira, 21 de agosto de 2000
Agência Estado De Brasília 
O déficit em transações correntes, que contabiliza as operações da balança comercial e serviços e mede a dependência do País em relação ao capital internacional, registrou nova queda em julho, fechando o mês em US$ 1,343 bilhão. Os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que esse é o melhor resultado para meses de julho desde 1995.
Em junho, o déficit havia sido de US$ 2,477 bilhões, enquanto no mesmo mês do ano passado havia sido de US$ 1,544 bilhão. O déficit acumulado no ano também indica melhora. Nos primeiros sete meses de 1999, o desequilíbrio nas contas externas era de US$ 13,9 bilhões e neste ano está em US$ 12,7 bilhões. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o déficit é de 3,88%, um resultado que só foi menor em agosto de 1998.
A melhora, de acordo com o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Caldas, é consequência do saldo positivo de US$ 118 milhões na balança comercial e da redução nas remessas feitas por empresas para o exterior de lucros e dividendos, no valor de R$ 342 milhões em relação a julho do ano passado.
Caldas manteve a expectativa de que o déficit em transações correntes este ano fique entre US$ 23 bilhões e US$ 25 bilhões, mesmo com a revisão que o BC está fazendo do saldo da balança comercial. O importante é que se mantenha a trajetória de redução do déficit, disse Caldas. É claro que gostaríamos que isso estivesse acontecendo mais rapidamente, mas como a balança comercial tem decepcionado não será possível.
O déficit menor em transações correntes acabou se refletindo no balanço de pagamentos, que contabiliza todas as relações com o exterior, incluindo a conta de capitais, ou seja, os investimentos, amortizações e empréstimos. Em julho último, o balanço de pagamentos apresentou um resultado positivo de US$ 1,264 bilhão, enquanto no mês anterior essa conta tinha sido negativa em US$ 479 milhões.
Em julho, a conta de lucros e dividendos foi negativa em apenas US$ 40 milhões por causa de recursos de brasileiros que estavam no exterior e foram trazidos de volta ao País (US$ 241 milhões).
A redução nos juros, entretanto, foi parcialmente neutralizada pelo aumento nas despesas de brasileiros com viagens internacionais. Depois da desvalorização cambial e com alguma estabilidade nas cotações do dólar, as viagens internacionais estão voltando a crescer. Em julho, os gastos totalizaram US$ 228 milhões, contra US$ 164 milhões no mesmo mês de 1999. O valor acumulado no ano também é US$ 328 milhões superior ao que os brasileiros gastaram em 1999.
O investimento direto estrangeiro, que ajuda a financiar o déficit em transações correntes, foi de US$ 5,101 bilhões em julho. Até o dia 21 de agosto o BC registrou o ingresso de US$ 1,725 bilhão em investimentos diretos no País.


