Cai déficit em transação com exterior
Em termos absolutos, ‘vermelho’ em setembro foi reduzido de US$ 32 bi para US$ 28,3 bilhões, equivalente a 4,69% do PIB
Agência Estado
De Brasília
Arquivo FolhaPERÍODO CRÍTICOAltamir Lopes: ‘‘Outubro é um mês pesado em pagamento de juros’’ O déficit em transações correntes do Brasil com o exterior (o saldo nas transações de comércio, serviços e transferências unilaterais) caiu de 5,14% do Produto Interno Bruto (PIB) na série de doze meses concluída em agosto para 4,69% do PIB nos doze meses até setembro. Em termos absolutos, o déficit baixou de US$ 32,058 bilhões para US$ 28,346 bilhões.
No mês de setembro, isoladamente, o saldo negativo das transações correntes foi de US$ 1,192 bilhão, um resultado 75% menor do que o do mesmo mês em 98. O governo estima que o déficit chegará a US$ 25 bilhões neste ano. Esse valor, porém, será coberto integralmente com o ingresso de investimentos estrangeiros diretos, que deverão totalizar US$ 26 bilhões em 99. Os dados foram divulgados ontem pelo chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes.
Em setembro, pela primeira vez na década, o País recebeu mais do que enviou recursos referentes a lucros e dividendos. Além disso, pela primeira vez no ano, as remessas líquidas para pagamentos de juros apresentaram queda quando comparadas a igual mês de 98. Finalmente, os ingressos de investimentos diretos chegaram a US$ 2,727 bilhões, a despeito de não terem ocorrido privatizações. Esses fatores explicam o bom resultado das transações do País com o exterior. O balanço de pagamentos (dado pelo saldo das transações correntes e dos ingressos e saídas de capital) fechou o mês com superávit de US$ 529 milhões.
Nos doze meses terminados em setembro, os ingressos de investimentos diretos foram superiores em US$ 2,7 bilhões ao saldo negativo nas transações correntes. ‘‘Eles financiaram o déficit e ainda sobrou troco’’, comentou Altamir Lopes. Segundo o chefe do Depec, este é o melhor resultado desde janeiro de 95. Até 18 de outubro, os ingressos já totalizavam US$ 1,197 bilhão, o que eleva o saldo acumulado do ano a US$ 23,904 bilhões.
Segundo Lopes, a tendência é de melhora nos resultados das contas externas. As estatísticas apresentadas pelo BC consideram saldos acumulados em períodos de doze meses. Portanto, daqui para diante, o BC substituirá, a cada mês, um péssimo resultado – fruto da fuga de capitais e queda nos investimentos causada pela crise russa de 98 – por um saldo um pouco melhor obtido neste ano.
Em setembro, o Brasil teve um déficit de US$ 1,266 bilhão nas suas contas de serviços (juros, viagens internacionais, transportes, lucros e dividendos, seguros, e outros), contra um saldo negativo de US$ 3,836 bilhões em igual mês no ano passado. Houve, portanto, uma queda de 67%.
Essa redução do déficit ocorreu, em parte, porque o País pagou menos juros. Foram US$ 847 milhões no mês passado, contra US$ 914 milhões em setembro de 98. Segundo Lopes, essa queda é esporádica. Dados parciais de outubro já mostram um déficit de US$ 1,633 bilhão até o dia 18. ‘‘Outubro é um mês pesado em pagamentos de juros, pois há vencimentos de bradies e do Clube de Paris’’, explicou o chefe do Depec. Neste ano, o Brasil já enviou ao exterior US$ 10,187 bilhões para pagar juros. Em igual período de 98, os gastos somavam US$ 7,343 bilhões.
O dólar mais caro continua inibindo as viagens dos brasileiros ao exterior. Em setembro de 98, o déficit nessa conta havia sido de US$ 516 milhões, contra US$ 155 milhões no mês passado. Até ontem, o saldo para o mês de outubro estava negativo em US$ 74 milhões. De janeiro a setembro deste ano, o déficit nessa conta foi de US$ 1,020 bilhão, contra US$ 3,116 bilhões em igual período de 98.
Em setembro, o Brasil recebeu liquidamente US$ 59 milhões referentes a lucros e dividendos, contra saídas líquidas de US$ 1,858 bilhão registradas em setembro do ano passado. Lopes explicou que o superávit foi ‘‘casual’’.

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