Cai a venda de pacotes para julho
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quinta-feira, 29 de maio de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaFalta de dinheiroO presidente da Abav, Felipe Gonzáles: culpa da recessão econômicaAs agências de turismo estão sentindo uma redução nas vendas de pacotes de viagem para as férias de julho. Em maio do ano passado, as vendas estavam aquecidas, o que leva o setor a prever que haverá uma queda de 20% no número de pessoas que vão viajar nas férias do meio do ano. O cálculo é feito com base na procura antecipada de opções para viagem.
O relatório anual da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav) mostra que 7 milhões de turistas fizeram viagens dentro do Brasil e que 3 milhões embarcaram para o exterior no ano passado. A maioria das pessoas, que optou pelo turismo nacional, foi conhecer as praias do Nordeste. O mês de julho representa um incremento de até 45% no número de pacotes vendidos. Este ano o aumento em julho será de 25% ou no máximo 40%, com muito otimismo, afirma o presidente da sede regional da Abav, Felipe Gonzáles.
A associação avalia que a redução é resultado da recessão econômica, que reduz a atividade comercial em todos os setores. Estamos passando por uma estagnação momentânea por causa da crise generalizada no País, afirmou Gonzáles. Ele disse que a maioria dos clientes, que ainda está viajando, deixa para comprar os pacotes na véspera da viagem. Gonzáles disse que as agentes de viagem estão preocupados porque não está havendo resposta aos anúncios de viagens publicados em jornais e revistas.
A falta de financiamento a longo prazo de viagens nacionais também espanta os turistas. Enquanto as viagens para o exterior podem ser pagas em até 21 prestações, os pacotes nacionais são divididos em no máximo seis meses. Com as altas taxas de juros cobradas, que podem ser de até 3% ao mês (superior ao dobro do que rende a poupança), o cliente desiste da viagem ou opta por um roteiro mais curto e mais barato.
A baixa procura pelo turismo está relacionada também com o alto custo de viajar dentro do País. O turista estrangeiro, que traz dólares para o mercado interno, se afasta do Brasil por causa do preço que pagará nos hotéis, restaurantes e pontos turísticos. Já o turista brasileiro deixa de viajar dentro do País, porque é inevitável fazer uma comparação básica: para passar cinco dias em Manaus, no pantanal matogrossense ou numa praia do Nordeste, ele pagará R$ 800. Com os mesmos R$ 800 é possível ficar uma semana em Cancun (México) ou em Aruba. E com R$ 1,2 mil compra-se um pacote para conhecer a Disney Word.
Somente no ano passado, 900 mil turistas viajaram para Orlando para visitar a Disney. O Brasil só perde para o Canadá no ranking dos países que mais exportam turistas para a Disney.
A indústria do turismo movimenta no Brasil cerca de R$ 2 bilhões anuais. O volume é considerado pequeno em relação a outros países como os Estados Unidos, Espanha e França. Nestes países, o turismo representa até 30% do Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, a indústria sem chaminés, como é conhecido o mercado do turismo, corresponde a apenas 1,5% do PIB nacional.


