Cai a receita do café solúvel
Da Redação
Apesar da desvalorização cambial, as exportações de café solúvel fecharam o ano de 1999 muito abaixo da média alcançada entre 1992 e 1997. Este ano, as indústrias de café solúvel exportaram 45.295 toneladas, sendo que a média do período 92-97 foi de 59.097 toneladas. A receita alcançada em 1999 US$ 225.763 milhões igualmente acompanhou a queda; em 1995, por exemplo, as vendas foram da ordem de US$ 489.725 milhões. Mesmo apresentando uma ligeira recuperação em relação ao volume exportado em 1998, os índices obtidos este ano não animam o setor.
O ano de 1998 foi o pior da década e não pode ser utilizado como referência. Desde 1995, o setor vem acumulando sucessivas perdas, tanto no volume como na receita, afirmou Sérgio Coimbra, presidente da Abics Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel, durante entrevista coletiva, em São Paulo.
Contribuíram para mais este resultado negativo o mau desempenho nas exportações para a Rússia (principal mercado do solúvel brasileiro, para onde é exportado café embalado com a marca Brasil) e para os países da União Européia.
Neste caso, a queda pode ser explicada pela absurda política discriminatória imposta contra o solúvel brasileiro, que paga uma sobretaxa de 10,5% em relação ao produto que vem da Colômbia e do Equador, que é isento de tributação sob o discutível argumento de que tal política contribui no combate ao narcotráfico.
As empresas do setor têm realizado vultosos investimentos para se atualizarem tecnologicamente, mas apenas isto não é suficiente, afirma Sérgio Coimbra.
Segundo o presidente da Abics, o custo da matéria-prima interna, a alta carga tributária e a ausência de uma política exportadora para o setor são os principais fatores para a queda nas vendas para o exterior. Para o próximo ano, Coimbra espera um desempenho semelhante ao apresentado em 1999. -





