Brasília A redução da taxa básica de juros, a Selic, na semana passada, não foi suficiente para mudar a expectativa do mercado financeiro em relação ao crescimento da economia neste ano. A última pesquisa feita pelo Banco Central com instituições financeiras e empresas de consultoria indicou que elas apostam que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá apenas 1,55%. Na semana passada, essas mesmas instituições já haviam reduzido suas previsões de 1,70% para 1,59%. Foi a segunda queda consecutiva da projeção de crescimento apurada na pesquisa do BC. Para 2004, as institituições continuam apostando num crescimento econômico de 3%.
A boa notícia é que o mercado continua ajustando gradativamente suas estimativas de inflação para as metas do governo, a médio prazo. Na última pesquisa, a expectativa de variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos próximos 12 meses caiu de 7,04% para 6,5%. Para 2004, as instituições também projetam inflação de 6,5% (ante 6,55% na semana passada), situando-se agora apenas um ponto porcentual acima do centro da meta de 5,5% estabelecida pelo governo.
A estimativa do IPCA para este ano também caiu, passando de 10,62% para 10,13%, mas ainda fica muito acima do teto de variação da meta oficial, de 8,5%. Especificamente para julho, as apostas indicam que o IPCA deverá acumular alta de 0,40%, e não mais 0,70%, como indicado na semana passada. O conjunto de preços administrados - item que inclui tarifas de telefone e energia elétrica, por exemplo - deverá registrar alta de preços de 13,90% este ano, ante 14,07% estimados pelo mercado até a semana passada. Para 2004, a projeção para a inflação desse conjunto de preços caiu de 8,65% para 8%. O ritmo lento também se reflete nas projeções sobre ingresso de capitais no País. Para este ano, os analistas acreditam que o Brasil receberá US$ 9 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, valor US$ 1 bilhão abaixo da estimativa do BC.

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