Cai a oferta de emprego em Londrina
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de abril de 1997
Bete Fagundes 
A concorrência está apertando e as exigências, dobrando. É cada vez mais difícil encontrar vagas no mercado de trabalho. Neste primeiro trimestre, o Sistema Nacional de Emprego (Sine/Londrina) incluiu no seu cadastro 23.023 pessoas que buscavam alguma ocupação. No ano passado, no mesmo período, eram 18.543 pessoas. A procura foi 24,16% maior, portanto.
Das 23.023 pessoas que procuraram o Sine nos meses de janeiro, fevereiro e março, 2.257 foram encaminhadas ao mercado de trabalho e apenas 321, colocadas. Quem se perdeu na maratona, ou foi por falta de condições para o trabalho, ou porque o trabalho desejado não apareceu, ou até por desistência. Também pode ter chegado tarde.
Muitos fatores influenciam na colocação do candidato, explica o gerente do Sine, Julio Cesar Zanoni. A começar pelo baixo número de vagas que é colocado à disposição. Para cada uma delas, o Sine ainda encaminha de três a quatro pessoas. Isso depois de fazer uma pré-seleção que analisa até mesmo a aparência do candidato, além do currículo.
A movimentação diária no Sine chega a uma média de 450 pessoas à procura de trabalho e do seguro-desemprego - a média mensal é de 7.600 pessoas. Índice alto. O relatório do ano passado também indica o quanto o mercado está espremido.
Segundo o gerente, pelo menos 3.000 postos de trabalho foram fechados em Londrina. Significa que houve mais demissão que contratação no ano passado. Isso no mercado formal. Mercado em que todos trabalham com carteira assinada. O informal é o que oferece mais vagas no País, mas não pode ser considerado um modelo de desenvolvimento econômico e social. É simplesmente o último recurso.
Não foram poucas as pessoas em Londrina que deram entrada no pedido de seguro-desemprego neste primeiro trimestre. O número passa de 4.500. Teoricamente, 4.500 pessoas foram demitidas no período, afirma Zanoni, dizendo que a concorrência é acirrada e que as empresas em geral, ainda em dificuldades, estão exigindo muito do trabalhador. Ele é quem sofre as consequências; porque a empresa não pode perder tempo nem dinheiro com ele. A situação é delicada.
Resumindo: tem pouca vaga para o trabalhador, a concorrência é grande e ele precisa investir em formação profissional. Nossa mão-de-obra ainda é despreparada, observa o gerente, referindo-se aos dados dos candidatos que o sistema computadorizado do Sine vai registrando e conservando por um ano. O programa de inclusão de candidatos é extenso e detalhado.
O candidato se identifica (nome, endereço, sexo) e fala da família (dependentes, renda), dos trabalhos anteriores, da posição ocupada. Também fala do seu ramo de atividade, indicando, por exemplo, o período de admissão e desligamento. Aponta o nível de escolaridade (descrição do curso, a série, a conclusão) e o domínio ou não de idiomas. Depois ainda comenta os cursos e as ocupações aspiradas, o salário pretendido, as experiências.
Colhidos os dados, muitos deles da carteira profissional, o próprio sistema cruza as informações com as ofertas de emprego e indica a melhor oportunidade para o candidato. Aí começa a maratona. Quanto mais modesto o currículo, pior para ele. As empresas já estão exigindo o segundo Grau, comenta Julio Cesar Zanoni. E como um desempregado investe na profissionalização? Com que dinheiro?
A Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho ainda não sabe ao certo quando vai abrir no Estado o seu calendário/97 de cursos profissionalizantes, gratuitos.


