Brasília - Os gastos dos brasileiros com viagens internacionais caíram 30,4% em julho deste ano em relação ao mesmo mês de 2014, para US$ 1,68 bilhão, segundo o Banco Central. A alta do dólar e a queda na renda dos trabalhadores estão entre os motivos que têm contribuído para reduzir essas despesas. Nos sete primeiros meses de 2015, a queda foi de 21,8%, para US$ 11,6 bilhões. A redução desses gastos está entre os fatores que ajudaram a reduzir o deficit do Brasil nas suas transações de bens, serviços e rendas com o exterior.
O deficit externo recuou 33% em julho deste ano em relação a julho do ano passado, para US$ 6,2 bilhões. No ano, a queda foi de 24%, para US$ 44,1 bilhões. Em 12 meses, está em 4,34% do PIB. Na parte de bens, as exportações caíram 16%, mas as importações recuaram mais, 19% no ano. Nas rendas, o destaque é a queda de 37% nas remessas de lucros no mesmo período. Os dados do BC mostram ainda queda na entrada de dólares no País na maior parte dos investimentos estrangeiros. Os investimentos diretos em empresas no país recuaram 33% no ano, para US$ 36,9 bilhões. As aplicações em títulos de renda fixa caíram 27%, para US$ 18 bilhões. No mercado de ações, por outro lado, a entrada de recursos aumentou 22%, para US$ 11 bilhões.

Investimentos

A queda nos investimentos estrangeiros em empresas brasileiras se acentuou no terceiro trimestre de 2015, segundo dados do Banco Central. Em julho, os investimentos diretos no País recuaram 37%, para US$ 6 bilhões. Para agosto, o BC projeta uma entrada de US$ 3 bilhões, bem abaixo dos US$ 10 bilhões registrados no mesmo período de 2014.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirmou que a redução na entrada de capital estrangeiro é semelhante ao que tem sido visto em relação aos investimentos com recursos nacionais no Brasil. "Há uma redução dos investimentos, independente de ser doméstico ou externo. Há um comportamento similar dos investimentos estrangeiros em relação ao que temos observado nos dados das contas nacionais", afirmou Maciel. "A atividade econômica e eventos não econômicos têm afetado esses investimentos diretos." Maciel afirmou que a queda no investimento direto não compromete o financiamento do deficit do Brasil nas suas transações de bens, serviços e rendas com o exterior, que também recuou neste ano por conta da atividade econômica mais fraca.

VIAGENS

Dados parciais do BC para o mês de agosto também mostram queda nas gastos com viagens internacionais, que recuaram cerca de 30% neste ano até julho e atingiram o menor valor desde 2010. "Os dados parciais mostram aprofundamento dessa tendência", afirmou Maciel, projetando queda de 46% nas despesas líquidas, que consideram também as receitas com turismo de estrangeiros no Brasil. "Essa é uma das contas que reagem mais prontamente à taxa de câmbio. A moderação na renda é outro fator que também influencia esses resultados."
Câmbio mais desvalorizado e atividade mais fraca neste trimestre também ajudam a derrubar as remessas de lucro para fora do país. Os dados parciais de agosto mostram envio de US$ 826 milhões até a semana passada, bem abaixo dos US$ 3 bilhões registrados em agosto de 2014.

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