Cafés do Brasil ocupam um terço do mercado mundial
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Tomas Okuda<br> Agência Brasil 
São Paulo - A exportação brasileira de café em 2009 alcançou o melhor nível dos últimos quatro anos. O País embarcou ao longo do ano passado 30,309 milhões de sacas de 60 kg, conforme levantamento divulgado ontem pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Em comunicado à imprensa, o diretor geral do Cecafé, Guilherme Braga, considerou o resultado positivo. De acordo com ele, o aumento do volume embarcado nos últimos 12 meses garantiu a excelente participação do Brasil com quase um terço do mercado mundial e market share de cerca de 31%. O País exportou 29,522 milhões de sacas em 2008; 28,205 milhões em 2007; 27,390 milhões em 2006 e 26,209 milhões em 2005.
A receita cambial no ano passado foi de US$ 4,27 bilhões, representando queda de 10% em comparação com 2008. Braga ponderou que, embora os preços tenham sido impactados pela crise financeira internacional, ''o mercado vem reagindo, em um processo firme de recuperação. Tanto, que no mês de dezembro de 2009 o preço médio da saca do café ficou em US$ 153,91, valor que se aproxima do preço pré-crise'', ressalta Braga. O preço médio da saca em 2008 foi de US$ 160,96, recuando para US$ 140,77 em 2009.
Em 2009, os maiores compradores do café brasileiro foram Alemanha, com 6 milhões de sacas; EUA, com 5,8 milhões de sacas; Itália, com 2,5 milhões de sacas; e Japão, com 2,1 milhões de sacas. Os três principais portos de embarque foram Santos - com 19.796.077 sacas; Vitória, com 4.177.523 sacas; e Sepetiba, com 1.667.689 sacas.
Em dezembro passado, a exportação brasileira de café foi de 2,445 milhões de sacas, para uma receita de US$ 386,424 milhões.
Em 2010
As perspectivas para a exportação brasileira de café em 2010 são animadoras. Conforme avaliação do Cecafé, tudo indica que o País irá manter volume embarcado em torno dos 30 milhões a 30,5 milhões de sacas, com volume entre 13 milhões e 14 milhões no primeiro semestre, e 16 milhões a 17 milhões de sacas no segundo semestre.
Com relação à receita cambial, os prognósticos do Cecafé indicam resultado entre US$ 4,6 bilhões e US$ 4,8 bilhões.
Braga considera que alguns fatores devem favorecer o desempenho do setor. Segundo ele, mesmo em crise, o consumo da bebida nos mercados mais atingidos (EUA, Japão e Europa) não mostrou queda, apenas estabilidade ou crescimento modesto (à exceção do Leste Europeu). Esse comportamento permite considerar que, com a superação da crise econômica, haverá expansão no consumo, próximo a 2% ao ano (ou 2,6 milhões de sacas/ano).
Braga observa, ainda, que é possível apostar que uma provável dinâmica na oferta e na procura do produto também contribua com a exportação brasileira em 2010. No caso do café arábica, uma boa oferta, casada com a retração no suprimento por parte da Colômbia e da América Central levará a um ajuste favorável na oferta/demanda, neutralizando um eventual uso de estoques dos países importadores. Com isso, o Brasil mantém seus níveis de venda sem pressionar o aumento de estoques.
Quanto aos cafés robusta, o quadro é semelhante, com possível redução das exportações do Vietnã e provável aumento dos embarques do conillon brasileiro, que tende a se tornar mais competitivo no mercado externo.


