Cafés de Ribeirão do Pinhal terão Iso 9001 e Iso 14001
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de maio de 2000
Da Redação 
O Sindicato Rural de Ribeirão do Pinhal realizou ontem primeira reunião para mobilizar os produtores de café visando a implantação do Projeto de Certificação da Qualidade Café para todos os proprietários que queiram agregar mais valor ao produto café verde, no momento da comercialização.
As fazendas produtoras de café na região de Ribeirão do Pinhal - município com a maior produção do grão no Paraná - vão participar de um projeto inédito no país: a busca das certificações ISO 9001 e ISO 14001 com o objetivo de garantir a padronização da qualidade do produto desde o momento da plantação - dentro da porteira - até a comercialização - depois da porteira, situando a região como produtora de cafés especiais.
O projeto Certificação da Qualidade Café, que será lançado no dia 7 de julho, é fruto da parceira entre o Sebrae/PR, Sindicato Rural e Prefeitura Municipal. A idéia surgiu no Proder - Programa de Desenvolvimento, Emprego e Renda - do Sebrae/PR, que vem sendo desenvolvido na cidade desde o início deste ano com a meta de alavancar o crescimento e o desenvolvimento sustentável do município. O investimento previsto inicialmente na preparação das fazendas para as certificações é de R$ 217 mil.
Para o presidente do Sindicato Rural em Ribeirão do Pinhal, Luiz Henrique Ferroni - maior produtor individual de café do país - o projeto vem atender às exigências do mercado externo em relação à qualidade, responsabilidade social e atuação responsável em relação ao meio ambiente. Além disso, os produtores de café irão agregar mais valor ao produto café verde no momento da comercialização, enfatizou.
O trabalho vai envolver a certificação de todos as etapas da cadeia produtiva do café passando pelos cuidados com o meio ambiente, preservação de mananciais, segurança dos trabalhadores rurais, controle integrado de pragas e doenças e uso de agrotóxicos, por exemplo. Será uma certificação de empresas rurais ecologicamente corretas, afirma o técnico agrícola e agente do Proder em Ribeirão do Pinhal, Ayres Antonio Gallina.
O processo, que tem um prazo estimado de três anos para a certificação das primeiras fazendas, vai incluir várias fases de treinamentos envolvendo fazendeiros e trabalhadores que serão preparados por técnicos da Emater/PR, Senar/CTA e Faep - Federação da Agricultura do Estado do Paraná. No início o projeto será implantado em três unidades pilotos (produção pequena, média e grande). Pretendemos depois disso atingir cerca de 300 propriedades produtoras de café na região de Ribeirão do Pinhal. No pré-lançamento do projeto, que aconteceu na semana passada, 30 já se inscreveram. A meta é que após a certificação o café possa ser exportado diretamente pelo município com agregação de valor, salienta Gallina.
Segundo ele, com as certificações, a expectativa é que o produto seja mais valorizado entre os concorrentes e que isso possa agregar renda para o produtor, trazer mais empregos para o município e ainda melhorar a remuneração dos trabalhadores rurais que serão uma mão-de-obra preparada para trabalhar a cultura do café com qualidade. Todo o processo vai provocar uma virada de 180 graus na cultura regional, o que implica numa mudança total de perfil do fazendeiro e do trabalhador, avalia Gallina.
Ribeirão do Pinhal tem hoje uma plantação de 5,2 mil hectares de café, o que significa uma quantia de 28 milhões de pés de café e uma produção anual de 100 mil sacas beneficiadas. Essa quantidade corresponde, no Paraná, a cerca de 5% do total da produção do Estado, estimada este ano em 2,5 milhões de sacas beneficiadas, produzidas em aproximadamente 200 municípios. Há quatro anos Ribeirão do Pinhal era o terceiro produtor do Estado. No ano passados passamos a primeiro no Paraná, diz Gallina, lembrando o clima e a topografia levemente ondulada favorável à cultura do café.
No Brasil, a estimativa é que a produção atinja este ano o volume de 25 milhões de sacas beneficiadas. Deste total, 13 milhões deverão ser exportadas. A tendência é que nos próximos anos haja uma superprodução de café no mundo, estimulada pelo bom preço do café nos últimos anos, podendo acarretar queda de preço. Por isso queremos agregar valor no café de Ribeirão do Pinhal através da certificação para que possamos ser competitivos lá fora, destaca.
Para o prefeito municipal, Benedito Antônio da Silveira Pinto, o projeto, além de agregar valor à renda do produtor, vai qualificar a mão-de-obra local e provocar a conscientização da preservação do meio ambiente. O consumidor, no mercado externo, quer, além da qualidade, saber da origem do produto. Quer ter a certeza de estar optando por produtos corretos do ponto de vista da sua produção. Um café que está comprometido com a qualidade da mão-de-obra envolvida e com o meio ambiente terá um maior poder de competitividade, sublinhou.


