Cafeicultura segue em alerta vermelho no PR
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Mesmo sob protesto de produtores e entidades ligadas ao setor cafeeiro, o preço mínimo da saca do grão, estabelecido em R$ 307 para a atual safra, não deverá ser reajustado. A informação é do diretor do departamento de café do Ministério da Agricultura (Mapa), Edilson Alcântara. Ele afirma que a reivindicação do Paraná em estabelecer o preço mínimo na casa dos R$ 400 é impossível de realizar. "Nunca vamos chegar a um valor desse", lamenta.
Alcântara explica que o preço mínimo é baseado em um levantamento anual realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que percorre todas as regiões do País coletando informações referentes aos custos de produção e comercialização do café. "Na média nacional, a Conab estipulou o preço mínimo do café em R$ 304 a saca, mas elevamos para R$ 307", sublinha. Ele acrescenta que o Paraná não foi deixado de lado, sendo consultado pelo órgão, mas enfatiza que o governo manteve o valor mínimo com base na média nacional.
Questionado pela FOLHA se haveria a possibilidade de haver preços mínimos diferenciados para cada estado, com o objetivo de suprir, pelo menos, os custos de produção, o diretor do Ministério descartou a hipótese. Segundo Alcântara, o governo vem trabalhando para, ao invés de aumentar o preço mínimo, reduzir os custos de produção por meio do incentivo à mecanização da cafeicultura. "Só a mão de obra é responsável por 60% dos custos dos produtores. Queremos estimular a eficiência da produção", completa o diretor.
Crise
Walter Ferreira Lima, presidente da comissão técnica de cafeicultura da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), destaca que o preço mínimo estipulado pelo governo é insustentável. Um dos principais problemas do Estado, destaca Lima, é o encarecimento da mão de obra. "Na década de 1990, por exemplo, uma saca de café beneficiado pagava o salário de dois trabalhadores. Hoje, são necessárias seis sacas para remunerar esses mesmos empregados", salienta o presidente.
Lima alerta que devido às dificuldades do setor no Paraná, muitos produtores tradicionais estão deixando a atividade. Segundo ele, o Paraná reduz quatro mil hectares por ano de sua área plantada de café", lamenta o presidente. Lima completa que, se a situação continuar assim, as lavouras paranaenses irão reduzir ainda mais. De acordo com dados da Faep, no ano 2000, o Paraná cultivava 163 mil hectares de café. No ano passado, a área foi estimada em 82 mil hectares. O especialista completa que desde 2005 os salários dos trabalhadores e os valores dos insumos estão subindo, elevando os custos de produção no País.
Outro fator que contribui para aumentar os custos no Paraná, ainda segundo dados da Faep, é a baixa escala de produção devido ao tamanho das áreas, que têm uma média de oito hectares por propriedade. Segundo ele, isso limita a competitividade. Além disso, lembra ele, a atividade no Estado ainda tem outros obstáculos que precisam ser resolvidos para viabilizar a cafeicultura estadual, como a redução de impostos e a melhoria no atendimento técnico oferecido aos produtores.
O presidente da comissão do café da Faep revela que além de continuar tentando um diálogo com o governo federal, tem conversado com o governo do Paraná para a obtenção de uma possível redução do Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS). "A nossa proposta é passar dos atuais 12% de alíquota para 1%", sugere. Ele revela que o Estado está estudando a proposta. Lima completa que, se o setor conseguir essa diminuição, o Paraná passará a comercializar no estado de São Paulo.
Além dessa estratégia, Lima convoca os produtores a se unirem para fazer o setor passar por essa crise. Segundo ele, se houvesse um apoio técnico mais eficiente, seria possível aumentar a produtividade das lavouras do Estado. Com isso, completa Lima, aumentaria a margem de lucro dos agricultores. "Precisamos ampliar a nossa tecnologia", revela Lima.



