Se o financiamento para recuperação do cafezal prejudicado pelas geadas, cerca de R$ 80 milhões, não for liberado rapidamente, a crise social nas regiões cafeeiras do Paraná pode ganhar contornos insustentáveis. Produtores precisam desses recursos, anunciados há quase dois meses, para iniciar operações como desbrota ou recepa. Os trabalhadores volantes que dependem dessas atividades (cerca de 210 mil famílias entre as que têm emprego fixo no café e trabalhos temporários no café e na cana) têm ocupação para mais uma semana. Depois ficarão totalmente sem as duas fontes de sobrevivência.
A crise da cafeicultura é tema de um ‘‘Plano de Mobilização dos Cafeicultores’’, liderado pelo Sindicato Rural de Santo Antônio da Platina. Na reunião de ontem, no Sindicato do Comércio Varejista local, lideranças do setor enfocaram outras dificuldades destacando o aumento do custo de insumos como a uréia, que pulou de R$ 240,00/tonelada, no ano passado, para perto de R$ 500,00/t esta semana.
Três dirigentes regionais denunciaram ontem a este jornal a gravidade da situação: o presidente do Sindicato Rural, Paulo José Buso Júnior; o diretor da Comissão de Café do Sindicato Rural, Ailton Moreira (coordenador do movimento), e o presidente das Associação Paranaense de Cafeicultores, Newton Carneiro. Para aliviar a situação, eles defendem parcelamento das dívidas da cafeicultura e injeção de recursos do Conselho de Desenvolvimento da Política Cafeeira (CDPC) para manter atividades do ‘‘pós-geada’’.
‘‘O total de recursos é modesto em relação aos danos econômicos e sociais que estão por acontecer. As consequências imediatas são o desemprego, a descapitalização do produtor e a recessão no comércio dos cerca de 120 municípios que têm na cafeicultura uma das principais fontes de renda’’, afirma Ailton Moreira.
Para os cafeicultores, a quantia solicitada ‘‘não chega a 5% do que o Banco Central investiu recentemente (R$ 1,8 bilhão) para salvar dois pequenos bancos, cujos ex-donos estão gozando as delícias da Costa italiana’’.
Para fortalecer o movimento reivindicatório, os cafeicultores voltam a se reunir nas seguintes cidades: Cornélio Procópio (dia 18/9, às 17 horas), em Londrina (dia 20/9, às 17 horas, no Parque Ney Braga), em Ibaiti (dia 22/9), em Maringá (26/9, às 10 horas) e Ivaiporã (26/9, às 15 horas).
Informações sobre o movimento (43) 525-0910 (43) 534-1503.

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